terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O ponto negro

O dia pode ser repleto de acontecimentos, alguns bons e outros ruins. O que tornará ele alegre ou não, vai depender sobre qual deles concentrará sua atenção.
Você para e pensa nos livramentos que recebeu, nas inúmeras coisas legais que aconteceram durante seu dia, ou mantém sua mente naquilo que não foi bom?
Quando seus olhos estão focados no problema, você não percebe o bem que lhe cerca e os inúmeros motivos que tem para ser grato, pois não consegue lembrar de todo o bem que já lhe sobreveio.
O salmista escreveu no Salmos 103: 2: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”.
Não se esqueça do bem que o Senhor tem feito em sua vida. Tire seus olhos dos problemas e veja o quanto já recebeu. Quero deixar abaixo uma ilustração e espero que o Espírito Santo de Deus a use para modificar sua mente e ampliar sua visão.

O ponto negro
Certo dia, um professor chegou na sala de aula e disse aos alunos
para se prepararem para uma prova relâmpago.
O professor foi entregando, então, a folha da prova com a parte do
texto virada para baixo, como era de costume.
Depois que todos receberam, pediu que desvirassem a folha e para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um
ponto negro, no meio da folha.
O professor, analisando a expressão de surpresa que todos faziam,
disse o seguinte:
- Agora, vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo.
Todos os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa.
Terminado o tempo, o mestre recolheu as folhas, colocou-se na frente
da turma e começou a ler as redações em voz alta.
Todas, sem exceção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha.

Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor então começou a explicar:
 - Esse teste apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco, mas todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vida. Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros. A vida é um presente de Deus dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado.
Temos motivos para comemorar sempre, seja pela natureza que se renova, pelos amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá o sustento e principalmente pelos milagres que diariamente presenciamos. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro!
O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o
relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um amigo.
Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que recebemos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente.
Pense nisso!
Tire os olhos dos pontos negros de sua vida.
Aproveite cada bênção, cada momento que Deus lhe dá. Creia: o
choro pode durar até o anoitecer, mas a alegria logo vem no amanhecer.
Tenha essa certeza, tranquilize-se, agradeçã pelas bênçãos recebidas e seja muito feliz!

(Autor desconhecido)

Deus abençoe sua vida!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Persistência: virtude de um vencedor!

Persistir quando tudo ao redor insiste em fazê-lo desistir é uma atitude daquele que sabe exatamente aonde quer chegar.
Sofrimento, perdas, decepções, frustrações, são alguns dos bloqueios que todos aqueles que vivem neste mundo precisam enfrentar.
Rick Warren escreveu que: “O segredo da resistência é lembrar-se de que seu sofrimento é temporário, mas sua recompensa é eterna”.
Deus está tornando você forte e fortalecendo sua fé!
Rick ainda cita que “Cada problema é uma oportunidade para edificação do caráter, e quanto mais difícil for, maior será o potencial para o desenvolvimento de músculos espirituais e fibra moral”.
Deus é bom em todo o tempo e em todo tempo Deus é bom!
Uma vez enraizada essa verdade no seu coração, você terá total certeza de que Deus está soberanamente no controle de todas as coisas e que de acordo com a SUA palavra, “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28), então, é só uma questão de tempo para que o melhor venha sobre sua vida!
Aprenda o máximo que puder durante as lutas. Veja Deus agindo em seu favor.
Paulo escreve na carta aos Corintios: “Sede meus imitadores como eu sou de CRISTO”. (1 Corintios 11:1)
Pense no que ELE faria se estivesse vivendo a mesma situação que você e tente agir como ELE agiria.
Alegrem-se sempre no Senhor e deem a ELE a glória que lhe é devida.
Os problemas provam sua fé e perseverança, e aquele que não é provado, não pode ser  aprovado, portanto, se recuse a desistir.
Deus não o chamou para retroceder, mas para perseverar até o fim!

Que ELE abençoe sua vida!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Por amor, ELE escolheu a cruz!

O amor algumas vezes é provado pela dor.
Pense no que você não daria em troca do bem estar daqueles que ama?
Quantas vezes já não quis trocar de lugar com seu filho, pai, mãe ou ente querido para não vê-lo sofrer ou padecer perante uma doença? Principalmente quando você sabe que ela terminará em morte.
Eu quero lhe dizer que você “estava” ou “está” doente, de uma doença terrível, pois não apenas castiga o corpo, como também “destrói” a alma. Ela se chama pecado.
O pecado que corta os laços com o PAI e deixa imundo quem ele habita.
Esse mesmo pecado conduz o homem a um abismo, onde o fim é a morte eterna.
Mas eu tenho uma boa notícia para você, alguém que lhe ama, tomou sobre si todo o pecado que havia em você, para limpá-lo de toda doença e deixa-lo saudável e limpo.
JESUS CRISTO é essa pessoa. Desde os altos céus O SEU amor alcançou a sua vida, e para não vê-lo morrer, ELE desceu a terra, tomou sobre si toda a sua enfermidade, sofreu e morreu em seu lugar.
Foi um alto preço, mas ELE não se importou, pois você é muito valioso e o amor que ELE lhe tem é eterno.
Abaixo, segue trechos de um sermão que fala a respeito do quanto custou a JESUS o amor que ELE tem por sua vida.
Espero que o Espírito Santo fale profundamente ao seu coração, e que você perceba que JESUS CRISTO É TOTALMENTE DESEJÁVEL.

É TEMPO DE SE ACHEGAR A DEUS, POIS NÃO HÁ  SALVAÇÃO, NEM VIDA DE VERDADE FORA DELE.
POR AMOR A VOCÊ E A MIM, ELE ESCOLHEU A DOR E A CRUZ!

A Agonia no Getsêmani
Sermão pregado no Domingo, 18 de Outubro de 1874.
Por Charles Haddon Spurgeon.
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

“E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.” (Lucas 22:44)

   Quando nosso Senhor terminou de comer a Páscoa e celebrar a ceia com seus discípulos, foi com eles ao Monte das Oliveiras, e entrou no jardim do Getsêmani. O que o induziu a selecionar esse lugar para que fosse a cena de sua terrível agonia?
Assim como um enfermo escolheria estar em sua própria cama, assim Jesus escolheu suportar sua agonia em seu próprio oratório, onde as lembranças dos momentos de comunhão com Seu Pai estariam de maneira vivida diante Dele.
Além disso, nosso Senhor queria que víssemos o quanto nosso pecado havia transformado tudo ao redor Dele em aflição, convertendo suas riquezas em pobreza, sua paz em duros trabalhos, sua glória em vergonha, e também o lugar de seu retiro pleno de paz, onde em santa devoção tinha estado tão próximo do céu em comunhão com Deus, nosso pecado havia transformado no foco de sua aflição e centro de sua dor. Ali onde seu deleite tinha sido maior, ali estava chamado a sofrer sua máxima aflição.
    Nosso Senhor não desejava se esconder, não precisava ser perseguido como um ladrão, ou ser buscado por espias. Ele foi valorosamente ao lugar onde seus inimigos conheciam pois Ele tinha o costume de orar, pois Ele escolheu ser tomado para sofrer e morrer. Eles não o arrastaram ao pretório de Pilatos contra sua vontade, mas ELE foi com eles voluntariamente.
   Quando chegou a hora de ser traído, ali Ele estava, num lugar onde o traidor poderia o encontrar facilmente, e quando Judas o beijou, sua face estava pronta para receber a saudação traidora. O bendito Salvador deleitava-se no cumprimento da vontade do Senhor, ainda que isso implicasse a obediência até a morte.
  Por favor, perdoem de antemão qualquer erro. Um homem precisa ser inspirado, ou limitar-se às palavras inspiradas, para poder falar adequadamente em todo momento sobre o “grandioso mistério da piedade,” Deus manifestado em carne. Especialmente quando esse indivíduo tem que refletir sobre Deus manifesto tão claramente na carne sofredora.
Meditando na cena da agonia no Getsêmani, somos obrigados a dar-nos conta que nosso Salvador suportou aí uma tristeza desconhecida em qualquer outra etapa de Sua vida, portanto, começaremos fazendo a seguinte pergunta: QUAL ERA A CAUSA DESSA TRISTEZA ESPECIAL DO GETSÊMANI?
   Nosso Senhor era “varão de dores e experimentado no sofrimento” ao longo de toda Sua vida, no entanto, ainda que soe paradoxo, penso que dificilmente existiu sobre a face da terra um homem mais feliz que Jesus de Nazaré, pois as dores que Ele teve que suportar foram compensadas pela paz da pureza, a calma da comunhão com Deus, e a alegria da benevolência. Todo homem bom sabe que a benevolência é doce e seu nível de doçura aumenta em proporção a dor suportada voluntariamente quando se cumprem seus amáveis desígnios. Fazer o bem sempre produz alegria.
  Além disso, Jesus tinha uma perfeita paz com Deus todo o tempo; sabemos que era assim porque Ele considerava essa paz como uma herança especial, a qual podia deixar a seus discípulos, e antes de morrer disse-lhes: “A paz vos deixo, a minha paz vos dou.” Ele era manso e humilde de coração, e, portanto sua alma possuía o descanso.
  Porem, no Getsêmani, tudo parece ter mudado. Sua paz o abandonou, Sua calma se converteu em tempestade, ali dentro dos muros do Getsêmani, onde clama: “ Pai, se possível, passe de mim esse cálice.” Observem que dificilmente ao longo de toda sua vida o observam com uma expressão de angustia, e no entanto, aqui Ele fala, não só mediante suspiros e suor de sangue, mas também por meio das seguintes palavras: “Minha alma está muito triste, até a morte.” No jardim, o homem que sofria não podia ocultar sua angustia, e dá a impressão que não queria fazê-lo.
  Mas nosso Campeão resistiu até o sangue, agonizando contra o pecado. O que doía a Ti, ó Senhor, que padecias tão dolorosamente nesse momento?
Fica-nos muito claro que sua profunda angústia e inquietude não eram causadas por nenhuma dor física. Sem dúvida nosso Salvador estava familiarizado com a enfermidade e a dor, pois Ele tomou nossas enfermidades, porém nunca antes se queixou de algum sofrimento físico. Nem tampouco ao momento de entrar no jardim do Getsêmani havia sido afligido por algum dolo.
  O haviam chamado de “homem comilão e beberrão,” o tinham acusado de lançar fora aos demônios pelo príncipe dos demônios, já não podiam dizer mais e, no entanto, Cristo havia enfrentado tudo valorosamente. Não podia ser possível que agora Ele estivera muito triste até a morte por tal causa. Algo mais agudo que a dor, mais cortante que a censura, mais terrível que o luto, nesse momento contendia com o Salvador, e o levava a “entristecer-se e angustiar-se em grande medida.”
  O que vocês crêem que marcou de maneira tão intensa o Getsêmani e às angústias que ali tiveram parte?
  Cremos que o Pai o colocou a sofrer ali por nós.
“Mas o Senhor carregou sobre si o pecado de nós todos.” Ao que não conhecia pecado, por nós se fez pecado. Ele estava próximo a “que pela graça de Deus provasse a morte por todos,” e levar a maldição que os pecadores mereciam. Porque esteve no lugar dos pecadores, sofreu no lugar deles. Aqui está o segredo dessas agonias que não é possível mensurar, tão certo é que:

“Somente para Deus, e unicamente para Ele
Suas angustias são plenamente conhecidas.”

  No entanto, quero exortá-los para que considerem por um momento essas angustias, para que possam amar Quem as sofreu.
 Como Deus, era perfeitamente santo e incapaz de pecar, e como homem estava sem mancha, puro e sem nenhuma contaminação, no entanto, teve que carregar o pecado, ser levado como bode expiatório carregando a iniquidade de pecadores sobre sua cabeça, ser tomado e feito uma oferenda pelo pecado, e pagar seu preço.
  Lutero descreveu Deus vendo em JESUS todos os pecados do mundo, e como se Ele houvesse cometido todo o pecado cometido em todos os tempos por Seu povo, pois todo esse pecado foi colocado sobre Ele, e também sobre Ele deveria tombar toda a violência que esse pecado exigia. Ele tinha que ser o centro de toda a vergonha e carregar sobre Si tudo o que deveria recair sobre os culpados filhos dos homens.
  O cruel e pouco generoso tratamento que Ele mesmo tinha recebido fazia parte do ódio que o homem sentia para com Deus. Nem as feridas tampouco os golpes o afligiam tanto como o pecado, e isso sobrecarregava completamente Sua alma.
QUAL ERA O CARÁTER DESSA ANGÚSTIA?
  Não era dor, palpitações do coração, dor de cabeça que o afligia, era algo pior, a turbação de espírito é pior que a dor corporal.  A dor poder trazer problemas e converter-se na causa incidental de angústia, porem, se a mente está perfeitamente tranquila, um homem pode suportar a dor sem maiores problemas, e quando a alma está radiante e levantada por um gozo interno, a dor do corpo quase é esquecida, pois a alma conquista ao corpo.
  O principal sofrimento de nosso Senhor estava em Sua alma. “Quem suportará ao ânimo angustiado?” a dor de espírito é a pior das dores, a tristeza de coração é o ápice das aflições.
 No capítulo 26 de Mateus, no versículo 37 está registrado que Ele “começou a entristecer-se e a angustiar-se muito” e essa expressão está cheia de significado. Muito mais conteúdo, em verdade, do que poderíamos explicar.
Pode significar a completa invasão da mente pela angústia, de tal forma que qualquer outro pensamento capaz de aliviar a pena, fica totalmente excluído. Um pensamento lacerante consumia Sua alma inteira e queimava tudo que pudesse fornecer consolo.
Foi lançado de um lado a outro como que sobre um poderoso mar embravecido, envolto na tormenta, arrastado por sua fúria. “e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. (Isaías 53:4)” Como o salmista disse, inumeráveis males o cercavam de tal forma que seu coração se angustiava e se derretia como cera em suas entranhas em um completo desmaio. Começou a “angustiar-se muito.”
 O suor frio, pegajoso dos moribundos é produzido pela fraqueza corporal, mas o suor sangrento de Jesus era produzido pelo total desfalecimento e prostração de Sua alma. Sua alma estava em um terrível desmaio, e sofria da morte interna, cujo acompanhamento não eram lágrimas usuais dos olhos, mas sim um choro de sangue proveniente do homem inteiro.
Nosso Senhor estava “muito angustiado”, abatido, desalentado e sobrecarregado pela pena. Não houve aflições piores do que as de Cristo, e Ele mesmo disse: “Minha alma está muito triste”, ou rodeada de tristezas, “até a morte”. Ele não morreu no jardim, porem sofreu o mesmo que se houvera morrido.

“Somente para Deus, e unicamente para Ele
Suas angustias são plenamente conhecidas.”

 Nossa terceira pergunta será QUAL FOI O ALÍVIO DE NOSSO SENHOR EM TUDO ISSO?
  É perfeitamente normal esperarmos que nossos irmãos vigiem conosco em nossa hora de provação, porém, nosso Senhor sabia que os homens não eram capazes de ajudá-LO , ainda que seus espíritos quisessem fazê-lo, sua carne era fraca. Então, o que JESUS fez?     Recorreu à oração, e especialmente a Deus em seu caráter de Pai.
  A oração era o canal de consolo do Redentor. Verdadeira, intensa, reverente, a oração se repete, e depois de cada tempo de oração regressava a calma, então voltava para seus discípulos com uma medida de paz restaurada. Quando percebia-os dormindo, suas aflições regressaram, fazendo-O voltar  a orar, e a cada vez sendo consolado, de tal forma que quando orou pela terceira vez já estava preparado para se encontrar com Judas e com os soldados, e para ir com silenciosa paciência ao juízo e à morte.
Seu grande consolo era a oração e submissão à vontade divina, pois quando colocou Sua própria vontade aos pés de Seu Pai, a debilidade de Sua carne não se queixou mais e em doce silêncio, como uma ovelha submetida aos tosquiadores, conteve a Sua alma em paciência e descanso.
Irei concluir sacando duas ou três aplicações de todo nosso tema. Que o Espírito Santo nos instrua.
  A primeira é essa: Conheçam queridos irmãos, a humanidade real de nosso Senhor Jesus Cristo. Não pensem Nele “unicamente” como Deus, ainda que certamente ELE o seja, porém sintam-nO como relacionado com vocês, ossos de seus ossos e carne de sua carne. ELE plenamente pode compreendê-los, pois carregou sobre si todas as cargas que vocês possuiam, e foi afligido com todas as aflições que deveriam ser de vocês. São muito profundas as águas pelas que vocês estão atravessando? No entanto, não podem ser comparadas com as torrentes com as que Ele foi golpeado. Jamais penetra no espírito de vocês alguma dor que seja estranha a ELE. Jesus pode identificar-se com todas as aflições dos homens, pois sofreu muito mais do que eles sofreram, portanto, é capaz de socorrê-los em suas tentações. Apeguem-se a Jesus como seu amigo íntimo, o irmão que os ajudará na adversidade e terão obtido um consolo que lhes permitirá atravessar todas as profundezas.
  Continuando, contemplem aqui o intolerável mal do pecado. Você é um pecador, porém Jesus nunca o foi, e, no entanto, estar em lugar do pecador foi tão terrível para Ele que o deixou muito triste, até a morte. O que será para você um dia o pecado se for achado culpado no final! Oh, se pudéssemos descrever o horror do pecado não haveria nenhum de vocês satisfeito de permanecer nele nem por um momento; creio que essa manhã, se elevaria dessa casa de oração um lamento e gemidos tais que poderiam ser ouvidos nas próprias ruas, se os homens e as mulheres aqui presentes que estão vivendo em pecado pudessem entender realmente o que é o pecado e quais serão os juízos de Deus que muito logo os rodearão e destruirão. Oh alma, o pecado deve ser uma coisa terrível se ele entristeceu dessa forma a nosso Senhor.
  Vejam, porém, o amor sem par de Jesus, que por nossa causa, não somente sofreu no corpo, mas também aceitou com horror, ser contado como um pecador, e receber o castigo consequente de nossos pecados. Ainda que lhe custasse sofrer até a morte, e uma terrível aflição, o Senhor se apresentou como nossa garantia para não nos ver perecendo. Por acaso não poderíamos suportar com alegria a perseguição por causa Dele? Não poderíamos trabalhar para Ele com total entrega? Somos tão egoístas que Sua causa pode ter necessidades enquanto nós contamos com os meios para ajudá-la? Os exorto pelo Getsêmani, meus irmãos, se possuem uma parte e uma porção de amor pelo seu Salvador, amem muito Àquele que os amou verdadeiramente, sem medida, gastem-se e sejam gastos por Ele.
  Outra vez vendo a Jesus no jardim, aprendemos a excelência e a plenitude da expiação. Que negro sou, que sujo e desprezível aos olhos de Deus! Eu só mereço ser lançado no mais profundo do inferno, e me assombra que Deus não me tenha lançado ali desde muito tempo. Porém, entro no Getsêmani, e observo meu Salvador. Sim, o vejo retorcendo-se no solo cheio de angústia, e escuto Seus gemidos do tipo que nunca foram emitidos por nenhum homem anteriormente. Observo a terra e a vejo vermelha com Seu sangue, enquanto Seu rosto está banhado de suor ensanguentado, e digo a mim mesmo: “Meu Deus, Meu Salvador, por que te afliges?” E Ele me responde: “Estou pagando o preço por teu pecado,” e então sinto muito consolo, quisera eu ter evitado a meu Senhor tal angústia, mas agora que ela terminou, posso entender como Deus pode perdoar-me, porque feriu a Seu Filho em meu lugar.
  Agora tenho esperança de ser justificado, pois trago diante da justiça de Deus e diante de minha própria consciência a lembrança de meu Salvador que sangra.
Minha alma que foi antes culpada agora é absolvida e recebe a liberdade.
Ele se tornou maldito por nós, para que possamos ser feitos a justiça de Deus através DELE.
  Por último, qual não será o terror do castigo que recairá sobre aqueles homens que rejeitam o sangue expiatório, os quais terão que estar frente a Deus em suas próprias pessoas para sofrer por seus pecados? Não é em um jardim, mas sim na cama de vocês onde sempre descansaram que poderão ser surpreendidos, e onde as dores da morte se apoderarão. Serão entristecidos com uma tremenda tristeza e remorso pela vida que desperdiçaram, e por terem rejeitado ao Salvador. Então, o pecado que mais amaram sua lascívia favorita, como outro Judas, os trairá com um beijo. Quando, todavia sua alma desprender-se de seus lábios, será tomada e levada ao tribunal de Deus.
  Logo, suas consciências e desespero o sacudirão, e os homens o olharão e dirão: “Eis ali o homem e ao sofrimento que lhe sobreveio, porque desprezou a seu Deus e encontrava prazer no pecado.”
  Serão julgados publicamente com todos os seus crimes escritos sobre sua cabeça para que todos os possam ler e entendam que vocês foram justamente condenados; e logo, zombarão de vocês, como zombaram de Jesus.
  Mais ainda, porque além de seu pecado, vocês rejeitaram ao Salvador, vocês disseram: “Não colocarei minha confiança Nele”.
  Voluntariamente, presunçosamente, e em contra de sua própria consciência rejeitaram a vida eterna; e se morrem rejeitando a misericórdia, o que pode resultar de tudo isso? Pois que primeiro seu pecado e logo sua incredulidade os condenarão à miséria sem limites e sem fim. Deixem que Getsêmani lhes adverta, deixem que Seus gemidos, Suas lágrimas e Seu suor sangrento lhes sirvam de aviso. Arrependam-se do pecado e creiam em Jesus. Que Seu Espírito assim se lhes permita, no nome de Jesus. Amém.
FONTE
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
 Sermão nº 1199— THE AGONY IN GETHSEMANE -  do volume 20 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,
Tradução e revisão: Armando Marcos Pinto


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Palavras curam, palavras ferem...

Palavras curam e também ferem...
O que sai da sua boca pode alegrar ou magoar alguém, portanto, tenha cuidado com o que fala.
Não se pode tornar a boca as palavras proferidas, ou apagar seu som dos ouvidos de quem as ouviu, portanto, fale apenas quando tiver certeza que elas serão úteis e produtivas.
O efeito de algumas palavras pode assemelhar-se aos dois textos descritos abaixo:

O primeiro refere-se a “um pai que no intuito de instruir seu filho, pede para que quando o mesmo estivesse com raiva, tomasse um prego e o firmasse na parede. O filho obedeceu e ao final do dia a parede estava cheia de pregos, então, o pai solicita a ele que retire os pregos. Depois de atendido, ambos verificam que a parede está cheia de marcas. O pai então ensina ao filho que o mesmo acontece com as palavras, pois algumas delas deixarão marcas profundas no coração das pessoas”. (Autor desconhecido)

O segundo refere-se à história de uma pessoa que espalhou mentiras sobre alguém e o prejudicou grandemente.
No entanto, esse alguém se arrependeu e pediu perdão a pessoa, mas ainda assim, não se sentia bem e para amenizar sua culpa, foi pedir conselhos a um sábio. O sábio por sua vez, pediu-lhe que pegasse um travesseiro cheio de penas, subisse no alto de uma montanha e soltasse as penas ao vento e ele assim o fez.
No dia seguinte, o sábio solicitou que voltasse à montanha e recolhesse todas penas novamente no travesseiro. Esse alguém afirmou ser impossível fazer isso, ao que o sábio respondeu:  Por vezes, reparar o dano causado por algumas palavras é tão difícil quanto recolher as penas que foram jogadas ao vento. (Autor desconhecido)

Mediante essas ilustrações, pode-se perceber quão importante é ter cuidado com o que fala e como fala.
A bíblia ensina que: “A língua benigna é árvore da vida, mas a perversidade nela quebranta  o espírito”. (Provérbios 15:4)
Palavras proferidas não voltam atrás, ainda que você se arrependa, portanto, peça ajuda ao Senhor para que não as use a fim de machucar ou destruir as pessoas. Ore como o salmista: “ Põe, ó Senhor, uma guarda a minha boca e guarda a porta dos meus lábios”. (Salmos 141:3)
Desejo que suas palavras sejam cheias de vida, paz e mansidão. Que elas edifiquem pessoas e estejam cheias de sabedoria!


Deus abençoe sua vida!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Quando não conseguir falar...

Existem momentos na vida que deixam um ponto de interrogação na mente e uma ferida no coração.
Aqueles, nos quais você não compreende o que está acontecendo e uma dor sufocante inquieta a alma.
Essa inquietude aliada a dor faz perder o rumo e abre a porta ao desespero.
A bíblia afirma: “ DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”. (Salmos 46:1)
No mesmo texto, o autor ratifica: “Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares”. (Salmos 46:2)
Então por que alguns não correm para esse refúgio?
Talvez por dureza de coração, ou por achar que Deus é culpado pelo mal que lhe acomete, enfim o ser humano encontra muitas desculpas para justificar seus atos, ainda que algumas delas não façam o menor sentido.
Você não deveria se sentir abandonado ou esquecido mediante a certeza de que Deus é seu refúgio, não importa o que aconteça.
Mesmo quando a dor for tão intensa que as palavras fugirem e derem lugar as lágrimas. Nesses momentos, com uma intensidade ainda maior, Deus deve continuar sendo seu refúgio!
A sinceridade de seu coração trará Deus para perto de você, mesmo sem pronunciar uma palavra.
Quando não conseguir falar o Espírito Santo intercederá por você com gemidos inexprimíveis, ou seja, que não podem ser explicados por meio de palavras, pois ELE lhe ajuda nas suas fraquezas. (Romanos 8:26)
Isso significa que de todas as formas Deus está lhe amparando e que você nunca estará sozinho!
Não se preocupe quando faltarem palavras, pois ELE entenderá suas lágrimas.
Deus é um alto refúgio! Bem-aventurado aquele que compreende isso e confia no Senhor dos Exércitos, pois não há batalha que ELE não vença, nem dor que SEU amor não cure.
Lembre-se dessa verdade quando não encontrar palavras para expressar o que sente.
Deus é e sempre será um alto refúgio para aqueles que NELE confiam.

Que ELE abençoe sua vida!



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Como não amá-LO?

O que você sente quando pensa em Jesus? O que ELE representa para você?
Certa vez ouvi a seguinte frase: A importância das coisas pode ser medida pelo tempo que você está disposto a gastar com elas. Quanto tempo tem dado a Jesus? Tem se esforçado para conhecê-lo?
Assim que conhece-LO de verdade e começar a vê-lO de perto, não apenas a distância, perceberá o quanto ELE é maravilhoso.
Para tentar explicar um pouco do seu amor, vou usar o seguinte exemplo:
Você conhece duas pessoas, alguém que muitos nem sabem que existe e a quem outros não dão o mínimo valor. Uma delas, em seu próprio ponto de vista está bem, vivendo de acordo com sua vontade. Comete “pequenos delitos”, mas a seu ver, nada grave. Se vinga, não estende a mão para ajudar mesmo tendo oportunidade, trapaceia para alcançar seus objetivos, usurpa aquilo que não é seu, e acredita que está perfeitamente bem, ou seja, não precisa mudar. Essa pessoa não percebe o mal que está fazendo a si mesma com seu modo de agir e segue sua vida como se estivesse agindo da maneira correta. De igual modo, a outra pessoa está perdida, porém seu caso é mais grave, ela nem sabe mais quem é em meio as drogas, prostituição, roubos... Perdeu o rumo, a esperança  e a razão. Anda a passos largos em direção a um abismo. Então chega o dia em que precisam acertar as contas pelos seus atos. O juiz julga com justiça e a sentença  de ambas é a morte.
Nesse momento surge uma terceira pessoa, inocente, a qual sempre praticou o bem, ajudou os outros, alguém que não possuía nenhuma dívida ou condenação e toma essa sentença para si. Ela decide morrer no lugar daquelas duas pessoas para dar-lhes uma nova chance, uma nova vida...
Assim é o amor de JESUS, tão intenso, que assumiu uma culpa que não era sua e decidiu morrer por alguém que julgava valer a pena.
Foi isso que ELE fez por mim e por você. Tínhamos a mesma sentença, mas ELE se ofereceu para pagar pelos nossos pecados e nos dar mais uma chance. A chance de ter vida e a ter em abundância.
Jesus Cristo achou que eu e você valíamos a pena...
O que você tem feito para retribuir tanto amor?
Compreendendo a imensidão do amor de Deus revelado através de SEU FILHO, é impossível não amá-LO.
A letra da canção abaixo falou muito comigo, espero que o Espírito Santo de Deus fale profundamente ao seu coração através dela!
 
Naquela Cruz – Soraya Moraes
 
Se fez maldito para me abençoar, se fez pobre para me enriquecer
O castigo que me trouxe a paz, era pra mim
Por mim morreu, naquela cruz foi ferido para a cura me dar
Por mim sofreu naquela cruz  e ao terceiro dia ressuscitou, hoje livre estou
Ele foi preso para me libertar, Ele morreu pra que eu pudesse viver
Teu sangue purifica o meu pecado e tem poder pra perdoar e tem poder pra perdoar
A coroa de espinhos que era para mim, Ele a usou para uma coroa de glória me entregar.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Andando com Deus!

Gn 5.24 “E andou Enoque com Deus e já não era; pois Deus o tomou para si”.
Enoque andou com Deus e era tão precioso aos SEUS olhos que Deus o tomou para si.
Quão inspirador é esse versículo! Uma criatura em sua vida consegue agradar tanto o Criador que ELE deseja tê-la mais perto.
Mas afinal como definir a expressao "andar com Deus"? Seria ouvir falar de Seus feitos e aceitar  JESUS CRISTO como Salvador ou “além” do que foi falado, também esforçar-se diariamente para ser agradável a Deus? 
Andar com Deus é um ato contínuo que requer esforço e comprometimento.
Você precisa demonstrar que está andando com Deus através de suas atitudes, palavras, caráter, ou seja, através da sua vida.
Supõe-se não ser uma tarefa tão fácil, pois em alguns momentos significará negar seus próprios desejos e vontades, mas a medida que você anda com alguém, torna-se parecido com essa pessoa.
Imagine que glorioso cumprir-se em sua vida o propósito inicial de criação do homem, ser “imagem e semelhança de DEUS”.
Estive lendo um sermão de George Whitefield, que explica como andar com Deus e gostaria de compartilhá-lo. Que o Espírito Santo de Deus use-o para falar melhor em cada coração que o ler. “Andando com Deus – George Whitefield” :


São várias as desculpas e razões nas quais os homens se baseiam para não obedecerem aos justos e santos mandamentos de Deus. Porém, talvez uma das objeções mais frequentes que fazem é esta, que os mandamentos de nosso Deus não são praticáveis porque são contrários à carne e ao sangue, por conseguinte, consideram-NO um Deus severo que: “ceifa onde não semeou e ajunta onde não espalhou”.
Descobrimos que esses eram os sentimentos nutridos por aquele mau e negligente servo mencionado no capítulo 25 do Evangelho segundo Mateus, e sem dúvida é o mesmo sentimento cultivado pela geração má e adúltera de hoje. O Espírito Santo, já prevendo isso, teve o cuidado de inspirar homens santos da Antiguidade, para que registrassem exemplos de muitos homens e mulheres santos, os quais, mesmo debaixo da dispensação do Antigo Testamento, foram capazes de alegremente tomar sobre si o jugo de Cristo, e de considerar o serviço dele como perfeita liberdade. A grande lista de santos, confessores e mártires registrada no capítulo 11 de Hebreus abundantemente prova tal verdade. Que grande nuvem de testemunhas foi-nos apresentada ali! E todas devido a sua fé.
Um desses exemplos está encerrado nestas palavras: “Enoque andou com Deus” e “ele já não era, pois Deus o tomou para si”. Ele não era, ou seja, não foi mais encontrado. Ele não foi levado da maneira comum, ele não viu a morte, pois Deus o trasladou (Hebreus 11:5).
O testemunho desse homem agradou a Deus e o fato de ter sido trasladado foi uma prova que não deixou nenhuma dúvida. E maravilhosa foi a sabedoria Deus em trasladar Enoque e Elias sob a dispensação do Antigo Testamento, para que, doravante, quando se assegurasse que o Senhor Jesus foi levado ao céu, não parecesse inacreditável aos judeus, visto que eles mesmos confessavam que dois de seus próprios profetas haviam sido transportados centenas de anos antes.
E “Enoque andou com Deus”. Se isso pudesse ser dito de você e de mim depois de nossa morte, certamente não haveria razão alguma de nos queixarmos de havermos vivido.
Desenvolvendo o assunto proposto,  pretendo mostrar abaixo:
1. O que está implícito nas palavras “andou com Deus”.
2. Prescrever alguns meios pelos quais, devidamente obedecidos, os crentes possam
acompanhar e manter o seu andar com Deus.
3. Apresentar algumas razões para nosso incentivo, pois, se nós nunca antes andamos
com Deus, que a partir de agora venhamos a e caminhemos com ELE agora.
Primeiro, o que devemos entender por andar com Deus, significa que o poder predominante da hostilidade do coração de uma pessoa foi removido pelo bendito Espírito de Deus. Talvez algo duro de se dizer a alguns, no entanto, nossa experiência diária prova o que as Escrituras em muitas passagens afirmam: que a mente carnal, a mente do homem natural não-convertido, ou melhor, a mente do não-regenerado, que permaneça não-renovada, tem inimizade contra Deus; de forma que não está sujeita à lei de Deus. Realmente, é de se admirar que alguma criatura, especialmente esta adorável criatura homem, feita imagem e semelhança de seu Criador, possuísse qualquer inimizade, muito menos contra esse mesmo Deus no qual o homem vive, se move e existe. Mas assim o é. Nossos primeiros pais contraíram esta hostilidade quando, por ocasião da queda, separaram-se de Deus comendo do fruto proibido, permitindo que o amargo e maligno contágio se espalhasse para sua descendência inteira. Esta inimizade veio à tona no esforço de Adão ao esconder-se atrás das árvores do jardim. Ao ouvir a voz do Senhor Deus, em vez de correr em sua direção com o coração aberto dizendo: “Aqui estou!”; ele agora não queria nenhuma comunhão com Deus e sua hostilidade ficou mais aparente através da desculpa que deu ao Altíssimo: “A mulher (ou, esta mulher) que você me deu, ela me deu do fruto, e eu comi”. Com efeito, dizendo isso Adão responsabiliza Deus, e é como se ele tivesse dito: Se tu não tivesses me dado esta mulher, eu não teria pecado contra ti, portanto, és o culpado da minha transgressão”. E dessa mesma maneira essa inimizade está no coração dos filhos de Adão. E assim, atacam tudo que tenha aparência de verdadeira piedade.
Essa inimizade se revela em Caim, que odiou e assassinou seu irmão Abel porque era amado por seu Deus. E essa mesma inimizade governa e prevalece em cada homem gerado da descendência de Adão. A partir de então, a aversão à oração e aos deveres santos é encontrada muito frequentemente nas pessoas, mesmo que tenham sido abençoadas com uma educação religiosa. E todo esse pecado e impiedade manifestos, que como um dilúvio têm inundado o mundo, são somente riachos correndo desta fonte horrivelmente contaminada, quero dizer, a inimizade do mau e enganoso coração do homem. E aquele que não pode endossar isso, não conhece nada ainda (não de uma maneira salvífica) das Sagradas Escrituras nem do poder de Deus, pois todo aquele que entende isso prontamente reconhecerá que antes que se possa dizer que alguém anda com Deus, essa hostilidade de coração deverá ser aniquilada, pois as pessoas que entre si mantêm ódio e inimizade irreconciliável uma contra a outra, não costumam andar juntas nem compartilhar entre si a companhia.
Atentem ao que eu digo, o poder dessa hostilidade deve ser tirado, apesar da essência deste sentimento nunca ser totalmente removida até curvarmos definitivamente nossas cabeças e rendermos o espírito. O apóstolo Paulo, de maneira queixosa ao falar de si mesmo, e não se referindo ao tempo em que era um fariseu, mas já como um verdadeiro cristão, lamenta que, quando queria fazer o bem, o mal estava presente, não tendo domínio sobre ele, porém, se opondo e resistindo às suas boas intenções e, assim, ele não fazia as coisas que queria, ou seja, na perfeição que o novo homem desejava. 
Porém, esse poder é gradualmente destruído em cada alma que é verdadeiramente nascida de Deus, ficando mais e mais enfraquecido na medida em que o crente cresce em graça e o Espírito de Deus vai tendo ascendência cada vez maior sobre o seu coração.
Segundo, andar com Deus não significa somente que o poder da inimizade que dominava o coração do homem foi retirado, mas também que a pessoa de fato é reconciliada com Deus Pai, em e através da justiça e expiação todo-suficientes de seu querido Filho.
“Podem dois caminhar juntos se não houver entre eles acordo?” (Am 3.3). Jesus é nossa paz, bem como o mediador dela. Quando somos justificados pela fé em Cristo, então, e somente a partir daí, temos paz com Deus e consequentemente podemos dizer que andamos com Ele.
O andar com uma pessoa é um sinal e prova de que são amigos ou pelo menos, ainda que tenham tido divergências, revela que se reconciliaram e se tornaram amigos de novo. Esta é a grande mensagem que os ministros do Evangelho estão proclamando. A nós é confiado o ministério da reconciliação, como embaixadores de Deus, nós temos que rogar aos pecadores, no lugar de Cristo, a se reconciliarem com Deus e, quando eles atendem a este gracioso convite e são realmente, pela fé, trazidos a um estado de reconciliação com Deus, então, e só então, eles podem dizer que estão começando a andar com Deus.
Terceiro, andar com Deus implica em estabelecer uma firme e permanente comunhão e amizade com Ele, ou o que nas Escrituras é chamado “O Espírito Santo habitando em vós”.
Isso foi o que Nosso Senhor prometeu quando disse aos discípulos que o Espírito Santo estaria neles e com eles, não como um caminhante, que chega para passar a noite e parte no dia seguinte, mas para estabelecer morada, fazer sua habitação em seus corações.
Através desse texto, creio, que o apóstolo João queria que compreendêssemos que quando ele se refere a uma pessoa permanecendo em Cristo, ela deve andar como se Ele mesmo estivesse andando. E é o que particularmente significam as palavras de nosso texto: “E andou Enoque com Deus”, ou seja, ele manteve e cultivou uma santa, firme, habitual, indubitável e ininterrupta comunhão e amizade com Deus, em e através de Jesus Cristo. Ou seja, andar com Deus consiste especialmente em costumeiramente curvar-se diante da vontade divina, numa habitual dependência de seu poder e promessa, numa usual e voluntária dedicação total à sua glória, num exame frequente de seus preceitos em tudo o que fazer e numa costumeira autossatisfação em agradá-lo mesmo em meio aos sofrimentos.
Quarto, andar com Deus importa progredir ou avançar na vida divina. A ideia principal da palavra “andando” parece supor um movimento progressivo. A pessoa que caminha, ainda que se mova vagarosamente, vai adiante e não continua no mesmo lugar. E assim é com aqueles que andam com Deus. Eles prosseguem como diz o salmista, “de força em força” ou na linguagem do apóstolo Paulo: “somos transformados de glória em glória na sua própria imagem”.
Porém, em alguns casos, quando a vida divina impõe barreiras, encontrarmos o povo de Deus culpando-O, apostatando sua fé e perdendo seu primeiro amor. E é por isso que ouvimos falar de bebês, jovens e pais em Cristo. Nesse sentido, o apóstolo Paulo exorta Timóteo: “que o teu progresso seja a todos manifesto”; e o que aqui é exigido de Timóteo em particular, o apóstolo Pedro impõe a todos os cristãos em geral: “antes, crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Pois a nova criatura cresce em estatura espiritual e, ainda que uma pessoa seja uma nova criatura, ainda assim haverá alguns que serão mais conformados à imagem divina do que outros. Por falta de observar essa distinção, até algumas graciosas almas cujos corações são melhores do que suas cabeças, e também homens corruptos, réprobos no tocante à fé, têm, de forma despercebida, negado todo o crescimento da graça em um crente, ou quaisquer sinais de graça declarada nas Escrituras da verdade. Que de tais coisas possa o Senhor dos senhores nos livrar!
Do que foi dito, podemos agora entender o que está encerrado nas palavras “andando com Deus”, a saber, ter sido de nós removida - pelo poder do Espírito de Deus – essa inimizade que prevalecia em nossos corações, e que agora vivemos realmente reconciliados e unidos a Deus pela fé em Jesus Cristo. Agora temos em nós e cultivamos uma firme comunhão e amizade com Ele, e fazemos progresso diário no relacionamento com Deus, a fim de sermos conformados mais e mais à imagem divina.
Para manter esse andar com Deus, em primeiro lugar, os crentes precisam ler sua santa Palavra. “Examinem as Escrituras, pois elas é que testificam de mim” diz nosso bendito Senhor. E o nobre salmista diz: “a palavra de Deus é lâmpada para os meus pés e luz para os meus caminhos”, e estabelece-a como característica de um homem bom, o qual “tem seu deleite na lei do Senhor, e se exercita nela dia e noite”. “Entrega-te à leitura”, diz Paulo a Timóteo. E Deus diz a Josué: “E este livro da lei não se afaste de tua boca”. Pois tudo o que dantes foi escrito, o foi para o nosso aprendizado. E a Palavra de Deus é útil para ensino, repreensão, correção, instrução na justiça, e de todas as maneiras suficientes para tornar cada filho de Deus perfeitamente habilitado para toda a boa obra. Se nós nos envaidecermos no nosso conhecimento bíblico e deixarmos de fazer da Palavra escrita de Deus nossa única regra de fé e conduta, rapidamente ficaremos expostos a todas as formas de engano e em grande perigo de naufragarmos na fé e na sã consciência. Nosso bendito Senhor, sempre ressaltava “está escrito”, e dessa maneira lutou com o diabo. A isso o apóstolo chama de “a espada do Espírito”. As Escrituras criam uma nova vida em nós, a mantêm e a desenvolvem em nossas almas. O apóstolo Pedro, em sua segunda epístola escreve: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração”: isto é, até que deixemos este corpo e possamos então ver Jesus face a face. Até lá, devemos ver e conversar com Ele através do espelho de sua Palavra. Devemos fazer do seu testemunho nosso conselheiro e diariamente, como Maria, sentar aos pés de Jesus e pela fé ouvir sua palavra. Então descobriremos, por feliz experiência, que as Escrituras são de fato espírito e vida, comida e bebida para nossas almas.
Em segundo lugar, os crentes devem conservar e sustentar seu andar com Deus através da oração em segredo. O espírito da graça vem sempre acompanhado do espírito da súplica. Ele é o próprio fôlego de vida da nova criatura, o sopro da vida divina, por meio da qual a centelha do fogo santo é acesa na alma por Deus, e não é apenas mantida, mas cresce e se transforma em uma chama. A negligência de orar em secreto tem sido frequentemente uma abertura a muitas doenças espirituais e tem sido acompanhada de consequências fatais.
A oração é uma das partes mais nobres da armadura espiritual do cristão. “Orai sem cessar” diz o apóstolo “com toda a sorte de súplicas”. “Orai e vigiai” diz Nosso Senhor, “para que não entreis em tentação”. E Ele contou uma parábola a fim de que seus discípulos orassem e não desanimassem. Não que Nosso Senhor nos queira sempre de joelhos ou trancados em nossos quartos negligenciando os nossos deveres diários, mas o que Ele quer dizer é que nossas almas precisam ser mantidas em atitude de oração, de modo que sejamos capazes de dizer, como disse um bom homem em seu leito de morte, na Escócia, aos seus amigos: ”Se pudessem estas cortinas ou estas paredes falar, elas contariam a vocês que doce comunhão eu mantive com o meu Deus aqui”. Ó, a oração! A oração! Ela leva o homem a Deus, e traz Deus ao homem. Ó, crentes! Se quiserem manter seu andar com Deus, orem, orem sem cessar. Fiquem em secreto, ponham-se a orar. E, quando vocês estiverem prestes a retornar às tarefas normais da vida cotidiana, façam preces abundantes e enviem de tempos em tempos breves cartas para o céu nas asas da fé. Elas irão alcançar o próprio coração de Deus e retornar para você novamente carregadas de bênçãos espirituais.
Em terceiro lugar, santa e frequente meditação é outro abençoado meio de um crente conservar a caminhada com Deus. “Oração, leitura, tentação e meditação”, diz Lutero, “faz um ministro”. E também produz e aperfeiçoa um cristão. Meditação para a alma é o mesmo que digestão para o corpo. Davi descobriu isso, daí o porquê de estar constantemente ocupado meditando, mesmo nas vigílias da noite. Também encontramos Isaque indo para o campo ao anoitecer a fim de meditar. A meditação é uma espécie de oração silenciosa, por meio da qual a alma é lentamente levada, por assim dizer, para fora de si mesma ao encontro de Deus e, em certa medida, como aqueles espíritos abençoados, os quais por uma espécie de intuição imediata, sempre veem a face de nosso Pai celeste. Ninguém, exceto essas felizes almas que estão acostumadas a essa ocupação divina, pode dizer que bendita promotora da vida divina é a meditação.
“Enquanto eu meditava”, diz Davi, “acendeu o fogo”. E enquanto o crente medita na obra e na palavra de Deus, especialmente na obra das obras, na maravilha das maravilhas, no mistério da piedade, “Deus manifestado em carne”, o Cordeiro de Deus morto pelos pecados do mundo, ele frequentemente sente acender o fogo do amor divino, e vê-se assim obrigado a usar a sua língua para falar da ternura de Deus à sua alma. Sejam assíduos na meditação todos vocês que desejam guardar e manter um íntimo e estável andar com o Deus Altíssimo.
Em quarto lugar, os crentes cultivam seu andar com Deus vigiando e observando a maneira providencial como Deus está lidando com eles. Se cremos nas Escrituras, então devemos crer no que o Senhor declara nelas: “Todos os cabelos de vossa cabeça estão contados e nenhum pardal cairá por terra (mesmo para apanhar um grão ou quando atingido por um caçador), sem o consentimento de vosso Pai que está nos céus”. Toda cruz traz em si um apelo, e cada particular dispensação da providência divina tem um objetivo a cumprir naqueles aos quais é enviada.
Se os crentes, por conseguinte, quiserem conservar o seu andar com Deus, de tempos em tempos devem ouvir o que o Senhor tem a dizer a seu respeito pela voz de sua Providência. Assim, encontramos o servo de Abraão quando foi buscar uma esposa para seu senhor Isaque, atento e vigilante à providência divina, e foi desse modo que encontrou aquela que estava destinada para ser a esposa de seu senhor. “Pois uma pequena dica da providência”, diz o piedoso Bispo Hall, “é o bastante para alimentar a fé”. E eu creio que isto será parte da nossa felicidade no céu: dar uma olhada e relembrar os vários elos da dourada corrente que nos levou para lá. Assim, creio que aqueles que mais desfrutam do céu aqui embaixo, nos últimos minutos, relembrarão o modo como Deus tratou com eles, no tocante às suas providenciais dispensações aqui na terra.
Em quinto lugar, para andar bem junto de Deus, seus filhos devem não apenas ficar atento às ações da Providência Divina fora deles, mas também às do seu bendito Espírito em seus corações. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”, os que renunciam a si mesmos para serem guiados pelo Espírito Santo, do mesmo modo que uma criança pequena dá sua mão para ser conduzida pela babá ou por seus pais. Não há dúvida a esse respeito: precisamos nos converter e nos tornar como crianças pequenas.
Por isso, rogo a vocês, ó cristãos, que se atentem ao mover do bendito Espírito de Deus em suas almas.
Em sexto lugar, aqueles que querem manter uma santa caminhada com Deus devem andar com Ele nas ordenanças e providências. Por isso, está registrado que Zacarias e Isabel “eram justos diante de Deus e andavam irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Todo cristão corretamente instruído considerará os mandamentos, não como algo desprezível, mas sim como canais condutores por meio dos quais o infinitamente afável Jeová comunica sua graça a alma dos homens. O cristão reputá-los-á como o pão das criancinhas e como seu mais alto privilégio. Consequentemente, ele se alegrará quando ouvir outros dizerem: “Vamos à Casa do Senhor”. Ele se regozijará em estar no lugar onde mora a glória de Deus, e ficará muito desejoso de aproveitar todas as oportunidades para manifestar a morte do Senhor Jesus até que Ele venha.
Em sétimo e último lugar, se você quer andar com Deus, se unirá e andará com aqueles que também andam com Ele. “Meu deleite”, diz o rei Davi, “está naqueles que me sobrepujam” em virtude. E, sem dúvida, os primeiros cristãos conservavam seu vigor e primeiro amor porque se mantinham em união e amizade uns com os outros. O apóstolo Paulo sabia disso muitíssimo bem e, portanto, exorta os cristãos a observarem isto e para que não deixassem sua congregação. Pois como pode alguém sozinho se aquecer? E não foi o mais sábio dos homens que nos disse: “O ferro com o ferro se afia, assim o homem ao seu amigo”. Logo, se olharmos a história da igreja ou observarmos com justiça o nosso próprio tempo, eu creio que descobriremos que, enquanto o poder de Deus predomina, as sociedades cristãs e as reuniões de comunhão predominam na mesma proporção. Sendo assim, é necessário que aqueles que desejam andar com Deus ajuntem-se sempre que for oportuno a fim de estimular uns aos outros ao amor e às boas obras.
Prosseguindo, vamos propor alguns motivos que atraiam a todos a vir e andar com Deus.
Primeiro, andar com Deus é algo muito apreciável. Esse é, em geral, o motivo preponderante para estimular pessoas de todos os tipos a assumirem algum importante compromisso. Eu suponho que todos vocês achem ser uma grandíssima honra ser admitido na reunião íntima de um príncipe terreno, que lhe confia seus segredos e dá-lhes sua atenção em todo o tempo e ocasião. Parece que Hamã assim pensou quando se gabou de que fora “exaltado sobre os príncipes e servos do rei” (Ester 5.11); mais ainda: “a rainha Ester a ninguém fez vir com o rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim; e também para amanhã estou convidado por ela juntamente com o rei”. E quando mais tarde uma pergunta foi feita a esse mesmo Hamã, Et 6.6 “Que se fará ao homem que o rei desejar honrar?”, ele respondeu, v. 8: “tragam-se as vestes reais, que o rei costuma usar, e o cavalo que o rei costuma andar montado, e tenha na cabeça a coroa real; entreguem-se as vestes e o cavalo às mãos dos mais nobres príncipes do rei, e vistam delas aquele a quem o rei deseja honrar, levem-no a cavalo pela praça da cidade e diante dele apregoem: Assim se faz ao homem a quem o rei deseja honrar.” Isso parece que era tudo o que o ambicioso Hamã podia pedir, e o que de mais valioso ele achou que o rei Assuero, o maior monarca de toda a terra, poderia dar. Mas o que é essa honra comparada à que recebe o mais pequenino dos homens que anda com Deus? Pensem, senhores, é coisa pequena ter o segredo do Senhor dos senhores com vocês e serem chamados amigos de Deus? E tal honra a possuem todos os santos de Deus. O segredo do Senhor está com os que o temem, e “daqui em diante (diz o bendito Jesus) não os chamarei mais de servos, mas de amigos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor”. Seja o que for que vocês pensem sobre isso, o rei Davi tinha tanta percepção da honra que acompanha aqueles que andam com Deus que declara: “prefiro estar à porta da casa de meu Deus do que permanecer nas tendas da perversidade”. Ó, que todos pensemos como ele!
Segundo, assim como é digno de honra, também é muito agradável caminhar com Deus. O mais sábio dos homens nos disse: “os caminhos da sabedoria são deliciosos e suas veredas paz”. E eu me lembro que o piedoso senhor Henry, quando estava já para morrer, disse a um amigo: “Você tem ouvido as palavras de muitos homens moribundos e estas são as minhas: Uma vida vivida em comunhão com Deus é a vida mais prazerosa do mundo!” Com segurança, confirmo que isso é verdadeiro. Deveras, fui alistado sob o estandarte de Jesus somente há poucos anos, no entanto, eu tenho encontrado mais firme prazer em um único momento de comunhão com meu Deus do que eu o teria ou poderia ter nos caminhos do pecado mesmo que eu tivesse prosseguido no pecado por milhares de anos. E diante dessa verdade, poderia eu não apelar a vocês que temam e andem com Deus? Não lhes vale um dia nos átrios do Senhor, mais que mil anos? Em guardar os mandamentos de Deus, não encontraram vocês um presente e uma mui grande recompensa? Não tem sido a sua palavra mais doce do que o mel para vocês? Ó! o que sentem quando, como Jacó, estão lutando com Deus? Não os tem Jesus encontrado enquanto meditam no campo e não tem se dado a conhecer repetidas vezes no partir do pão? Não tem o Espírito Santo frequentemente derramado abundantemente em seus corações o amor divino e os enchido de uma alegria indizível repleta de glória? Eu sei que vocês responderão a tais perguntas afirmativamente e de modo espontâneo reconhecerão que o jugo de Cristo é suave e seu fardo leve e em “seu serviço há perfeita liberdade”. Que outros motivos mais precisamos para nos animar a andar com Deus? Parece-me ouvir alguém dizer: “Como isto pode ser”? Pois, se andar com Deus é algo apreciável e agradável, então, por quê o nome do povo que segue tal caminho é rejeitado como coisa má e por todas as partes dele se fala contra? Como pode ser frequentemente afligido, tentado, privado dos meios de subsistência e levado ao suplício? É essa a honra, é esse o prazer de que você fala?” Eu respondo: Sim. Pare por um momento; não seja precipitado demais. Não julgue conforme a aparência, mas segundo a reta justiça, e tudo ficará bem. É verdade, nós reconhecemos que “o povo de Deus”, como você, e Paulo antes de você, quando é intimado por um perseguidor, é rejeitado, tido por mau, como uma “seita” de que se fala contra em todos os lugares. Mas quem faz isso? Precisamente os inimigos do Deus Altíssimo. E você julga uma desgraça eles falarem mal de você? Bendito seja Deus, não é assim que aprendemos de Cristo. Nosso Mestre ilustre disse isto: “Bem-aventurados sois quando por minha causa, vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós”. E Ele ordenou: “Regozijai-vos e estejam sobremodo alegres”, pois isso é um privilégio para os que são seus discípulos, e sua recompensa será grande no céu. Ele próprio foi tratado dessa forma. E pode haver uma honra maior para uma criatura do que ser conformada ao eternamente bendito Filho de Deus? Além do que, é igualmente verdade que o povo de Deus é afligido, tentado, privado de recursos e torturado. Mas e daí tudo isso? Isso destrói o prazer de andar com Deus? Não, de maneira nenhuma, pois esses que andam com Deus são capacitados, através da força que Cristo lhes vai dando, a alegrarem-se mesmo nas tribulações e a regozijarem-se mesmo quando mergulham em tentações. E eu acredito — e posso apelar para a experiência de todos os que verdadeira e intimamente caminham com Deus — que os mais doces momentos foram os de sofrimentos, nos quais eles mais se alegraram no Senhor. Descobrimos que esse foi o caso dos primeiros servos de Cristo, quando ameaçados pelo Sinédrio judaico e ordenados a não mais pregarem no nome de Jesus: eles regozijaram-se por serem achados dignos de sofrer afronta por causa de Jesus. Paulo e Silas louvaram a Deus até em um cárcere; e a face de Estevão, esse glorioso home de Deus, brilhou como a de um anjo. Jesus é o mesmo tanto agora como o foi outrora, e cuida com amor, de forma tão doce, aliviando os sofrimentos e aflições para que seus discípulos descubram, através de uma feliz experiência, que, quanto mais abundam as aflições, muito mais abundam as consolações. Portanto, todas essas objeções, em vez de destruir, somente reforçam os motivos recomendados acima, para estimular você a andar com Deus. Mas, supondo que não cessassem as objeções  eu teria uma terceira razão para apresentar, a qual, se pesada na balança do santuário, pesará mais do que todas as objeções, a saber, que há um céu no final dessa caminhada. E, para usar as palavras do piedoso bispo Beveridge, “Ainda que o caminho seja estreito, ainda assim ele não é muito longo: e ainda que o portão seja estreito, ele dá acesso para a vida sem fim”. Enoque encontrou-o. Ele andou com Deus aqui na terra e Deus o tomou para assentar-se com Ele no Reino dos Céus. Não que esperemos ser trasladados como ele foi: mas suponho que morreremos a morte normal de todos os homens. Porém, depois da morte, o espírito daqueles que andaram com Deus retornarão para Aquele que lhes deu, e na manhã da ressurreição, alma e corpo estarão para sempre com o Senhor; seus corpos serão feitos semelhantes ao glorioso corpo de Cristo, e suas almas preenchidas de toda a plenitude de Deus. Eles serão capazes de suportar um extraordinário e eterno peso de glória, precisamente aquela glória que Jesus Cristo gozava junto com o Pai antes do início do mundo. Como o bom Dr. Watts expressou, e fazendo uso da zelosa linguagem do nobre salmista: “Minha alma tem sede do Deus vivo. Quando irei e me verei perante a face de meu Deus?”. Não faço ideia de como será isto, já que a mais comum irradiação e influxo da vida e do amor divino fazem com que algumas pessoas desfaleçam e, por algum tempo, até percam os sentidos.  E, se uma visão distante dessa glória é assim tão excelente o que deve ser a posse real dela? Se as primícias são tão gloriosas, quão infinitamente excederá em glória a colheita? E agora, o que eu devo ou, de fato, o que eu posso ainda dizer para bem estimular a você, precisamente você, que ainda é estranho para Cristo, para que venha e ande com Deus? Venham, revistam-se do Senhor Jesus. Venham, apressem-se e andem com Deus, e não façam mais provisões para a carne a fim de preencher a concupiscência dela. Parem Ó, pecadores, voltem  homens não convertidos, pois o caminho pelo qual vocês agora andam, por mais direito que possa parecer aos seus olhos, terá por fim a morte, precisamente, a destruição eterna de ambos corpo e alma. Não se atrasem mais, eu digo: Vocês estão em perigo, eu exorto-os a não dar mais um passo no seu atual caminho. Pois, o que você sabe, ó homem, senão que seu próximo passo poderá levá-lo ao inferno? A morte poderá agarrá-lo, o juízo o encontrará e então, um grande abismo estará entre você e a glória sem fim para sempre. Ó, pense nessas coisas, todos vocês que não estão ainda dispostos a andar com Deus. Ponha-as no seu coração. Reconheçam que estão naquele caminho e, na força de Jesus Cristo, digam: Adeus, concupiscência da carne, eu não mais andarei com você! Adeus concupiscência dos olhos e orgulho da vida! Adeus, amigos da carne e inimigos da cruz, eu não mais andarei nem terei intimidade com vocês! Bem vindo Jesus, bem vinda Sua palavra, bem vindos Seus mandamentos, bem vindo Espírito Santo, bem vindo povo de Deus, doravante andarei com vocês. Ó, que haja em você tal disposição! Deus colocará sua poderosa sanção e selará isso com o grande selo do céu, o selo do seu Santo Espírito. Sim, Ele o colocará, mesmo que desde o seu nascimento você tenha andado e seguido os ardis e desejos de seus corações desesperadamente maus. “Eu, o Alto e o Sublime”, diz o grande Jeová, “que habito a eternidade, morarei com o de coração contrito e humilde, precisamente com o homem que treme diante da minha palavra”. O sangue, o precioso sangue de Jesus Cristo, se você vier ao Pai, NELE e através dEle, limpá-lo-á de todo o pecado.
Só me resta despertar suas mentes a suplicar pela misericórdia de Deus em Cristo Jesus: prestem atenção em si mesmos, andem sempre mais perto de Deus conforme passam os dias, pois, quanto mais perto de Deus andarem, mais O apreciarão, pois sua presença é vida, e ficarão mais bem preparados para serem colocados à sua mão direita, onde há delícias perpetuamente. Ó, não sigam Jesus à distância! Não sejam tão formais, ou estúpidos no cumprimento dos santos preceitos! Não abandonem vergonhosamente a sua congregação, não sejam avarentos ou indiferentes para com as coisas de Deus. Lembrem o que Jesus disse da igreja de Laodicéia: “Porque vocês não são frios nem quentes, vou vomitá-los de minha boca”. Pensem no amor de Jesus, e que esse amor constranja-os a se conservarem próximos dEle, e ainda que vocês morram por Ele, não o neguem, não fiquem distantes dEle de modo nenhum. A bíblia fala a respeito daqueles que têm a honra de serem denominados embaixadores de Cristo e mordomos dos mistérios de Deus.
Embora Enoque esteja com Deus, não nos inspira ele para avivar nosso zelo e nos tornar mais ativos no serviço de nosso glorioso e eternamente bendito Mestre?
Ainda por um pouco de tempo e entraremos no nosso descanso e daqui a algum tempo nossa caminhada estará terminada. O Juiz está à porta: Aquele que vem virá, e não tardará: e com Ele seu galardão. E, daqui a pouco, nós todos (se formos zelosos pelo Senhor dos Exércitos) brilharemos para sempre como estrelas do firmamento, no Reino de nosso Pai celestial, para sempre e eternamente. Para o Pai, o bendito Jesus e o Espírito Eterno, seja toda a honra e a glória, agora e para toda a eternidade.
Deus abençoe sua vida!

Tradução: Francisco Coelho
Revisão: Vanderson Moura da Silva

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