terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Batismo , uma sepultura !

O ato de se batizar gera dúvidas na cabeça de algumas pessoas.
Sabe-se que é uma ordenança: “Quem crer e for batizado será salvo” (Marcos 16:16), mas muitos ainda não entendem seu real significado.
Por que as pessoas se batizam? E depois de batizado, o que acontece comigo? Devo mudar minha maneira de viver ou posso permanecer  do mesmo jeito, sem mudanças?
O que o batismo produz naquele que realmente entende seu significado?
Spurgeon em um de seus sermões tenta responder alguns desses questionamentos, o qual descrevi abaixo alguns trechos.
Espero que o Espírito Santo de Deus fale ao seu coração e que você compreenda qual era a vontade de Deus quando orientou o homem a respeito desse tão importante passo.

O batismo – Uma sepultura – Charles Haddon Spurgeon

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida..” (Romanos 6:3-4)
Que não se entre em controvérsia neste texto sobre o batismo, por mais que sobre ele alguns tenham levantado questões sobre o batismo infantil e adulto, imersão ou aspersão. Eu me contento em aceitar o ponto de vista que o batismo significa um sepultamento dos crentes nas águas em nome do Senhor, e assim eu irei interpretar o texto.
Se alguém tem outra perspectiva, deveria ao menos se interessar em saber qual o significado que damos ao rito do batismo, e espero que não discordem do sentido espiritual apenas por diferirem do sinal externo. Que Deus Espírito Santo nos ajude a chegar ao ensino real.
Quando leio o versículo acima, não entendo que Paulo esteja dizendo que pessoas impróprias como os incrédulos, hipócritas, e enganadores batizados o sejam na morte de nosso Senhor. Ele diz “todos nós que”, colocando-se com o resto dos filhos de Deus. Ele pretende dizer que estes são os que tem direito ao batismo, e que a ele vem com seus corações em um estado correto.
Ele nem mesmo pretende dizer que todos aqueles que foram batizados por direito tiveram completo entendimento do seu significado espiritual; pois, se o tivessem, não haveria necessidade da pergunta: Ou não sabeis?” Parece que havia alguns batizados que não sabiam realmente o significado de seu próprio batismo. Eles tinham fé, e uma quantidade de conhecimento suficiente para torná-los dignos recebedores do batismo, porém não haviam sido corretamente instruídos na doutrina do batismo; talvez só estivesse enxergando no batismo o aspecto da lavagem, mas ainda não discerniram a característica do enterro.
Eu irei além, ao questionar se algum de nós conhece de maneira plena o significado das ordenanças que Cristo instituiu.
Oh, que Deus nos ensine diariamente aquilo que já sabemos em parte, e que a verdade que vimos de forma embaçada venha a nós de forma mais clara, até vermos tudo como que na presença da total luz do sol. Isso só pode ocorrer se nosso caráter se tornar mais claro e puro; pois vemos de acordo com o que somos; e tal como é o nosso olho, assim também é como vemos. O puro de olhos só pode ver um Deus Santo e Puro. Seremos como Jesus quando o virmos como Ele é (I João 3:2), e certamente não o veremos como Ele é até sermos como Ele. Nas coisas celestiais nós O vemos tanto quanto nós O temos em nós mesmos.
O batismo anuncia a morte, sepultamento e a ressurreição de Cristo, e também nossa comunhão com Ele. Seu ensino tem dois pontos. Primeiro, pensem na união representativa com Cristo, de tal forma que, quando nosso Senhor foi morto e enterrado, foi para nosso próprio benefício, e desta forma fomos enterrados com Ele. Isso nos ensina do batismo na medida que declara abertamente uma crença. Declaramos através do batismo que cremos na morte e Jesus, e desejamos comungar de todo Seu mérito.
Mas há outro assunto tão importante quanto este: trata-se da realização da nossa união com Cristo, que é demonstrada por meio do batismo, não tanto como uma doutrina da nossa confissão, mas como uma experiência nossa. Há um tipo de morte, de sepultamento, de ressurreição, e de viver em Cristo que deve se apresentar em todos nós que realmente somos membros do corpo de Cristo.
Nosso Senhor Jesus é o substituto do Seu povo, e quando Ele morreu foi para o bem desse povo e em seu lugar. A grande doutrina da nossa justificação depende disso, que Cristo tomou nossos pecados, ficou em nosso lugar, e como nosso procurador sofreu, sangrou, e morreu para apresentar em nosso lugar um sacrifício pelo pecado. Nós devemos nos lembrar dEle, não como uma pessoa privada, mas como nosso representante. Somos enterrados com Ele no batismo até a morte para mostrar que O aceitamos como sendo para nós.
O Batismo como um enterro com Cristo significa, primeiro, aceitar a morte e sepultamento de Cristo como sendo para nós. Vamos fazer isso agora mesmo com todo o nosso coração. Que outra esperança temos? Quando nosso Divino Senhor desceu das alturas da glória e tomou sobre si a nossa humanidade, Ele se tornou um comigo e com você; e, tendo sido achado em forma humana (Filipenses 2:7), ao Pai agradou colocar o pecado sobre Ele, até mesmo os seus e os meus pecados (Isaías 53).
Ele subiu ao madeiro carregado com toda essa culpa, e lá Ele sofreu em nosso lugar e legalmente foi penalizado como nós deveríamos sofrer.
Não aceitamos gratos a Jesus como nosso substituto?
Se não O aceitam, vocês devem sofrer a própria culpa e carregar seu próprio sofrimento, e estar de pé no seu próprio lugar diante do olhar da justiça de Deus.
Agora, sendo sepultados com Cristo no batismo, selamos que a morte de Cristo foi em nosso benefício, e que estávamos com Ele, e morremos nEle, e, como prova de nossa fé, consentimos na tumba de água, e nos deixamos ser sepultados de acordo com Seu mandamento. Esse é um fato de fé fundamental – Cristo morto e sepultado por nós; em outras palavras, substituição, procuração, sacrifício vicário. Sua morte é a base da nossa segurança: não somos batizados no Seu exemplo, ou em Sua vida, mas em Sua morte. Aqui nós confessamos que toda a nossa salvação depende da morte de Jesus, cuja morte nós aceitamos como tendo acontecido por nosso beneficio.
Mas isso não é tudo; pois se eu devo ser sepultado, não deve ser tanto porque eu aceito a morte substitutiva de outro por mim , mas por que eu mesmo estou morto. Batismo é um reconhecimento de nossa própria morte em Cristo.
Meu sepultamento com Cristo não significa somente que Ele morreu por mim, mas que eu morri nEle, de tal forma que minha morte com Ele precisa de um enterro com Ele. Jesus morreu por nós porque ele é um conosco (João 17:11, 21).
Era necessário Cristo sofrer por esta razão – que Ele era o representante do Seu povo pela aliança. Ele é a Cabeça do corpo, a Igreja; e se os membros pecaram, entende-se que a Cabeça, ainda que não tenha pecado, deva sofrer as consequências das ações do corpo.
Olhem para isso, ó filhos de Deus, e não temam. Essas são grandes verdades, seguras e confortantes.
Aquele que recebeu o pagamento do pecado deve aprender como evitá-lo no futuro.
Você é então um com Jesus, de tal forma que você deve considerar a morte dEle como a sua morte; Seus sofrimentos como o castigo que lhe traz a paz (Isaías 53: 5). Você morreu na morte de Jesus, e agora por uma graça estranha e misteriosa você é resgatado do poço de corrupção (Salmo 40:1-2) para uma vida nova. Como você poderia voltar novamente ao pecado? Você viu o que Deus pensa do pecado: você percebe que Ele o abomina totalmente; pois quando foi posto sobre Seu Filho Amado, Ele não O poupou, mas O pôs em sofrimentos e O levou à morte. Pode você, depois disso, voltar-se àquela coisa maldita que Deus odeia? Certamente, o efeito dos grandes sofrimentos do Salvador sobre seu espírito deve ser a santificação.
Como podemos nós, que já passamos debaixo da maldição (Gálatas 3:13-14), e suportamos sua pesada punição, tolerar seu poder?
O texto nos descreve como sepultados, mas com a perspectiva de ressurreição“Fomos, pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo;” – com qual objetivo? – “para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, assim também andemos nós em novidade de vida.”
Agora, você deve ir aonde Cristo for.
Se você é de fato um com Cristo, você deve ser um com Ele e passar por tudo; Você será um com Ele na morte, e um com Ele no seu sepultamento, e então você virá a ser um com Ele em Sua ressurreição.
Sou agora um homem morto? Não, bendito seja o Seu nome, pois está escrito que “porque eu vivo, vós também vivereis” (João 14:19).
Pois “a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Colossenses 3:3).
Que coisa gloriosa é ter retornado dos mortos, porque Cristo nos deu vida. Nossa velha vida foi tirada de nós pela sentença da lei, e a lei nos vê como mortos (Romanos 7:1-6); mas agora recebemos uma nova vida, uma vida fora da morte, uma vida ressurreta em Cristo Jesus. A vida do cristão é a vida de Cristo. Agora, pois, andamos nós em novidade de vida (Romanos 6:4), frutificando para a santificação (Romanos 6:22), justiça, e alegria pelo Espírito de Deus. A vida na carne é para nós um obstáculo; nossa vida está no Seu Espírito.
Se Deus deu a você e a mim uma vida inteiramente nova em Cristo, como pode essa vida ser desperdiçada da mesma forma que a vida velha? Há o espiritual que quer viver como carnal? Como podem vocês que eram os servos do pecado, que foram libertos pelo sangue precioso, voltar à velha escravidão (Gálatas 5:1)?
Se vocês vivem em pecado, vocês serão falsos na sua profissão de fé; pois como professarão estarem vivos para Deus (Romanos 6:11)? Se vocês andam na concupiscência, vocês vão pisar as doutrinas benditas da Palavra de Deus, pois elas levam à santidade e pureza. Você faria do cristianismo apenas uma palavra e um provérbio se, depois de tudo, vocês que saíram da morte espiritual exibissem uma conduta em nada melhor que a vida do homem comum, e um pouco superior à vida que você mesmo levava.
O Espírito Santo nos deu uma nova natureza, e por mais que estejamos no mundo, não somos dele, mas somos feitos novo homem, criados em Cristo Jesus” (Efésios 2:10).
Se vocês de fato são um com Cristo, o mundo deveria os achar se sujando? Deveriam os membros de uma Cabeça generosa e graciosa, invejarem e serem gananciosos? Deveriam os membros de uma Cabeça gloriosa, pura e perfeita, ser depredados com as concupiscências da carne e com as vaidades de uma vida em vão? Se os crentes são de fato identificados com Cristo de forma tal que eles são Seu tudo, eles mesmos não deveriam ser santos?
Eu sou chamado a viver como Cristo viveria em minhas circunstâncias; escondido em meu quarto ou em  público, eu sou chamado a ser o que Cristo seria no mesmo caso. Eu sou chamado a provar aos homens que aquela união com Cristo não é ficção, nem sentimento fanático: mas que somos movidos pelos mesmos princípios e agimos pelos mesmos motivos.
UMA UNIÃO REAL COM CRISTO também acontece no batismo, e isso é mais uma questão de experiência que de doutrina.
O cristão está morto – morto, primeiro, para o domínio do pecado. Toda vez que o pecado lhe chamava, antes, ele respondia, “aqui estou”.  O pecado mandava em seus membros, e se dizia, “faça isso,” ele o faria, como o soldado obediente ao seu centurião; pois o pecado mandava em todas as partes da sua natureza, e exercia sobre ele uma tirania suprema.
Mas a graça mudou tudo isso. Quando nos convertemos nos tornamos mortos para o domínio do pecado. Se o pecado nos chama agora, recusamos a ir para ele, pois estamos mortos. Se o pecado nos dá um comando nós não o obedecemos, pois estamos mortos para a sua autoridade.
Bendito seja Deus, o pecado não pode reinar sobre nós, por mais que possa nos assediar e nos trazer mal. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” Nós pecamos, mas sem permissão. Com tristeza olhamos para as nossas transgressões! Quão sinceramente nos empenhamos em evitá-las! O pecado tenta manter seu poder usurpador sobre nós; mas não o reconhecemos como soberano.
“Não têm os homens piedosos desejos de pecado?” A velha natureza que há neles deseja o pecado; mas o homem verdadeiro, o ego real, deseja ser purgado de qualquer espécie ou traço de mal. A lei que opera em seus membros corre para o pecado, mas a vida no coração constrange à santidade (Romanos 7:14-23).
O pecado é meu fardo, não meu prazer; minha miséria, não meu deleite; pensando nisso eu clamo, “desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). No centro do nosso coração, nosso espírito se inclina firmemente para o que é bom,  verdadeiro e celestial, de tal forma que o homem real  tem prazer na lei de Deus, e busca de todo coração o que é bom. A verdadeira tendência atual do desejo e vontade de nossa alma não é para o pecado.
Irmãos, há entre vocês alguém que professa ser servo de Deus vivendo para si mesmo? Então vocês não são servos de Deus; pois aquele que realmente nasceu de novo vive para Deus: o objetivo de sua vida é a glória de Deus e o bem dos seus semelhantes. Esse é o prêmio colocado à frente do homem movido por Deus, e para isso ele corre. Conquistar o “prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14).
Estamos no mundo, e temos que viver como os outros homens vivem, mas não nos agarramos a isso; nossos alvos estão além de algo mutável. O voo de nossa alma, como o da águia, está acima dessas nuvens: como aquele pássaro que do sol recebe luz nas rochas, que mesmo descendo às planícies, seu maior prazer é planar buscando a luz, indo acima das nuvens negras de tempestade, e olhando para todas as coisas terrenas como inferiores. Semelhantemente nossa vida que nos foi dada graciosamente segue em frente e acima; não somos do mundo, e as questões do mundo não são aquelas em que gastamos a maioria das nossas forças.
O caminho dos ímpios é traçado pela mão do desejo egoísta: mas vocês que são verdadeiros cristãos têm outro guia, vocês são liderados pelo Espírito em  um caminho direito. Você pergunta, “o que é bom e o que é aceitável aos olhos do Altíssimo?” Sua oração diária é “Senhor, mostra-me o que queres que eu faça”. Vocês estão vivos para o ensino do Espírito, que os conduzirá a toda a verdade; mas vocês estão surdos, sim, mortos para os dogmas da sabedoria carnal, às oposições da filosofia, aos erros da orgulhosa sabedoria dos homens.
Conhecemos a voz do pastor, e não seguiremos o estranho (João 10:4-5). Um é o vosso professor, e submetemos nosso entendimento à sua instrução infalível.
Coisas que as multidões consideravam com alegria, e falavam exaltando-as, não davam prazer ao seguidor de Jesus, pois ele estava morto para tais males. Essa é a nossa confissão solene quando decidimos nos batizar. Falamos, por atos que são mais audíveis que palavras, que estamos mortos para aquelas coisas em que os pecadores se deleitam, e queremos ser assim considerados.
O pensamento seguinte em batismo é a sepultura. Primeiro vem a morte, e então se segue o sepultamento.
Enterro é, antes de tudo, o selo da morte; é o certificado da perda.
Eu temo que muitos tenham sido enterrados vivos no batismo, e tenham posteriormente se levantado e saído da sepultura como estavam.
Vejo como nosso Mestre não possuía a estima dos ímpios quando clamavam “crucifica-o! Crucifica-o!” por mais que nenhuma corrupção poderia chegar perto de Seu corpo santo, ainda assim Seu caráter perfeito não era saboreado por aquela geração perversa. Deve haver, portanto, em nós a morte para o mundo, e alguns dos efeitos da morte, ou nosso batismo é vão. Tanto quanto o sepultamento é a prova da morte, então nosso enterro com Cristo é o selo de nossa mortificação para o mundo.
Batismo é o rito funerário pelo qual a morte para o pecado é abertamente estabelecida diante de todos os homens.
Quando a morte do crente para o mundo é totalmente conhecida: ele é má companhia na opinião dos mundanos, e eles o vêm como o estraga-prazeres. O verdadeiro santo é colocado em separado na mesma classe que Cristo, de acordo com Sua palavra, Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós” (João 15:20).
Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.” (Romanos 6:9-10). Se de fato fomos vivificados das obras mortas nós jamais devemos voltar-nos a elas. Eu posso até pecar, mas o pecado não pode ter domínio sobre mim; eu posso ser um transgressor e ir longe do meu Deus, mas jamais eu poderia voltar à velha morte novamente. Quando a graça do meu Senhor me tomou, e me enterrou, ela forjou em minha alma a convicção que dali em diante e para sempre eu era para o mundo um homem morto.
O pecado pode encantar o homem velho dependurado na cruz, e ele deve até virar o seu olho luxuriante naquela direção, mas ele não pode seguir seu relance, pois ele não pode descer da cruz: O Senhor teve o cuidado de martelar bastante, e Ele pregou suas mãos e pés firmemente, de tal forma que a carne crucificada permanecerá no lugar de sofrimento e morte. Sendo isso também verdade, a genuína vida que está em nós não pode morrer, pois nasceu de Deus; nem pode habitar em tumbas, pois seu chamado é à pureza e alegria e liberdade; e a esse chamado se rende.
Chegamos até a morte e o sepultamento; mas o batismo, de acordo com o texto, representa também a ressurreição: “como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4).
Nenhum morto está ressuscitado, mas o nosso Senhor mesmo é “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20). Ele é o primogênito dos mortos (Colossensses 1:18). A Ressurreição foi uma obra especial no corpo de Cristo pela qual Ele foi levantado, e aquela obra, que começou na cabeça, vai continuar até todos os membros serem co-participantes,
Pois para nossa alma e espírito, a ressurreição começou em nós. Não chegou a nossos corpos ainda, mas será dada a eles no dia determinado. No presente um trabalho especial foi forjado sobre nós pelo qual fomos levantados dentre os mortos.
Você foi uma vez igual a todos os pecadores ao seu redor, morto em pecado (Efésios 2:1), e dormindo a cova encomendada pelo mal. O Senhor pelo Seu poder chamou você para fora de sua tumba, e agora você está vivo entre os mortos.
Agora, eu clamo a vocês, não volte e cave na terra, para abrir as covas e achar um amigo lá.
O homem que está realmente vivo para Deus não pode suportar atos de injustiça, opressão, ou impureza pois a vida se opõe à corrupção.
Eu estou certo de que houve um deleite no coração de Deus ao trazer de volta a vida ao corpo de Seu Filho amado. E assim, quando eu e você somos tirados de nossa morte em pecados, não é meramente o poder de Deus, não é meramente a sabedoria de Deus que é vista, é a “glória do Pai”.
Se a menor centelha de vida espiritual tem de ser criada pela “glória do Pai”, qual será a glória daquela vida quando chegar à perfeição plena, e quando formos como Cristo, e vê-lo como Ele é (I João 3:2)! Oh amados, tenham em alta conta a nova vida que Deus lhes deu. Pensem nela em lhes tornando mais ricos do que se vocês tivessem um mar de pérolas, mais do que se vocês tivessem descendido do mais elevado dos príncipes. Há em você aquilo que requer todos os atributos de Deus para vir a existir.
A vida de um cristão é algo inteiramente diferente da vida de outros homens, totalmente diferente da sua própria vida antes de sua conversão, e quando as pessoas tentam falsificá-la, eles não conseguem.
A vida divina é uma novidade tão grande que o irregenerado não tem uma cópia com que trabalhar. Em todo cristão ela é tão nova como se ele fosse o primeiro cristão. Ainda que em todos haja a imagem e a inscrição de Cristo, ainda há uma borda branqueada ou algo dessa prata verdadeira que esses falsificadores não podem copiar. É algo novo, uma história, algo fresco de Deus. E essa vida é algo ativo.
Tão logo recebemos a nova vida nos tornamos ativos: não sentamos e dizemos, “eu recebi uma nova vida: quão grato eu devo estar. Eu vou na quietude usufruir disso”.
Nós temos de fazer algo diretamente enquanto estamos vivos, e começamos a andar, e assim o Senhor mantém-nos durante toda a nossa vida em Sua obra; ele não nos permite ficar sentados contentes com o mero fato de vivermos, nem permite que gastemos nosso tempo examinando se vivemos ou não; mas nos dá uma batalha para lutar, e a seguir outra; Ele nos dá Sua casa para construir, Sua fazenda para arar, Seus filhos para cuidar, e Suas ovelhas para alimentar.
Às vezes temos tempos de lutas ferozes com nosso próprio espírito, e tememos que o pecado e Satanás enfim prevaleçam, até que nossa vida seja dificilmente reconhecida, mas ela sempre é reconhecida pelos atos. A vida que é dada àqueles que estavam mortos, com Cristo, é uma vida enérgica, forte, que está sempre ocupada para Cristo, e, se pudesse, moveria céus e terra para sujeitar todas as coisas àquele que é sua Cabeça.
Essa vida Paulo nos diz que não tem fim. Uma vez recebida, nunca sairá de você. “havendo Cristo ressuscitado dos mortos já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. É também uma vida que não está mais debaixo do pecado ou da lei. Cristo veio sob a lei enquanto estava aqui (Gálatas 4:4), e teve os nossos pecados sobre si (Isaías 53:6), e assim morreu; mas depois que Ele ressuscitou não havia mais pecado sobre Ele. Em Sua ressurreição tanto o pecador quanto o Fiador estão livres.
Não temos pecados mais para carregar; está tudo sobre Cristo. O que temos de fazer? Toda vez que tivermos uma dor de cabeça, ou nos sentirmos enfermos, acharmos que, “é a punição pelo pecado?” Nada disso. Nossa punição foi plenamente satisfeita, pois recebemos a sentença capital, e estamos mortos: nossa nova vida deve ser para Deus.
Eu tenho agora que servi-lO e ter prazer nEle, e usar o poder que Ele me deu para chamar outros dos mortos, “desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Efésios 5:14). Eu não vou voltar à cova da morte espiritual nem ao meu caixão de pecado; mas pela graça divina vou continuar a crer em Jesus, e ir de força em força, não debaixo da lei, não temendo o inferno, nem esperando merecer o céu, mas como uma nova criatura (II Coríntios 5:17), amando por ter sido amado primeiro (I João 4:19), vivendo para Cristo pois Cristo vive em mim (Gálatas 2:19-20), ardentemente esperando a glória que será revelada (Romanos 8:18) em virtude da minha união com Cristo.
Pobre pecador, você não sabe nada sobre essa morte e sepultamento, e nunca saberá até que você tenha o poder de ser chamado filho de Deus (João 1:12), que Ele dá a todos os que crêem no Seu nome.
 Creia no Seu nome, e será todo seu.
 Deus abençoe sua vida!


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