terça-feira, 26 de agosto de 2014

Amado, porém afligido

A saúde é importante para o bem estar de qualquer ser humano, afinal ninguém gosta de ficar doente.
Sejam as menos agressivas ou as mais assustadoras doenças, é no mínimo preocupante ter seu corpo e suas faculdades físicas ou mentais limitadas por ela.
A enfermidade não avisa, simplesmente invade o corpo ou a mente, expondo a fragilidade do ser humano.
Então você pensa: Eu sou cristão e sendo assim, a enfermidade não deveria sequer tocar meu corpo, não é mesmo? Mas não é assim que acontece.
Não é porque Deus lhe ama, que sua vida estará livre de aflição ou de qualquer outra coisa a que estão sujeitas as outras pessoas. Deus tem suas formas de trabalhar e a obra DELE é sempre perfeita. ELE a aperfeiçoa através da minha e da sua fraqueza. Isso não significa que ELE não o ame, ou que não se importa com seu sofrimento, mas sim que o plano DELE é maior e mais abrangente que o seu. Quando seu corpo ou suas habilidades estiverem limitados, não permita que sua adoração também esteja. Não condicione sua confiança e fé ao que é temporário e momentâneo, mas firme seus olhos no que é eterno e incorruptível.    
Abaixo, Seguem trechos de um sermão de C.H.Spurgeon que fala exatamente esse sobre assunto. 
 Amado, porém afligido! 
“Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.” João 11:3
 Jesus amava Maria, Marta e Lázaro e é algo feliz quando uma família inteira vive no amor DELE. Era um trio favorecido, e, no entanto, como a serpente entrou no Paraíso, assim também a aflição entrou na tranquila casa de Betânia.
Lázaro estava enfermo. Todos eles sentiam que se Jesus estivesse ali, a enfermidade fugiria de Sua presença, então, que outra coisa deveria fazer, senão notificar a Jesus sua tribulação? Lázaro encontrava-se às portas da morte, logo, suas amorosas irmãs reportaram imediatamente a Jesus, dizendo-lhe: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.”
Do mestre se diz: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si”. Mas também menciona que o Senhor tem escolhido Seu povo em forno de aflição.
As irmãs de Lázaro podiam pensar: “Nós o amamos, e queríamos sarar-lhe diretamente: Tu o amas, e, no entanto, permanece enfermo. Tu poderias sarar-lhe com uma palavra, então, por que motivo aquele que amas está enfermo?”
Querido amigo doente, acaso perguntam a ti como sua dolorosa e persistente doença pode ser consistente com o fato de ser eleito e chamado por Cristo?
Não deveria surpreender que o homem a quem o Senhor ama esteja enfermo, pois é só um homem. O amor de Jesus não nos separa das necessidades e das debilidades comuns da vida humana. Os homens de Deus seguem sendo homens. O pacto da graça não é uma carta de privilégio que nos exime da tuberculose, do reumatismo, ou da asma. Os males corporais, que nos sobrevém por causa de nossa carne, nos acompanharão até a tumba, pois Paulo disse: “Os que estamos nesse tabernáculo gememos.” Aqueles a quem o Senhor ama, são mais propensos a adoentar-se, pois estão debaixo de uma peculiar disciplina. Está escrito: “Porque o Senhor ao que ama, disciplina, e açoita a todo o que recebe por filho".A aflição de qualquer tipo é um dos sinais dos filhos nascidos de Deus, e sucede com frequência que a prova toma a forma de enfermidade. Haveria de nos surpreender, então, que tenhamos que tomar nosso turno no leito da enfermidade? Se Jó, Davi e Ezequias, em seu momento, tiveram que se sofrer, quem somos nós para espantar-nos porque nos encontramos sofrendo de má saúde? Tampouco deveria nos surpreender que fiquemos doentes, se refletirmos no grandioso benefício que flui da prova para nós.                           Conheci certas mulheres cristãs que nunca teriam sido tão delicadas, ternas, sábias, experimentadas e santas se não houvessem sido abrandadas pela dor física. Há frutos no jardim de Deus, tal como no jardim humano, que não amadurecem enquanto são sejam golpeados. Muitos de nós temos sido capazes de falar como o salmista: “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.” Por essa razão, inclusive aqueles que são favorecidos e benditos, podem sentir que uma espada atravessa seus corações. Muitas vezes a enfermidade dos amados do Senhor é para o bem de outros. A Lázaro se lhe deixou que enfermasse e morresse, para que por sua morte e ressurreição, Deus fosse glorificado. Sua doença foi “para glória de Deus.” A igreja e o mundo podem extrair um imenso benefício das aflições dos homens bons: os descuidados podem ser despertos, os que duvidam podem ser convencidos, os ímpios podem ser convertidos, e os enlutados podem ser consolados através de nosso testemunho na enfermidade: e, se é assim, desejaríamos evitar a dor e a debilidade? Acaso não estamos muito dispostos a que nossos amigos digam de nós: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas”? As irmãs de Lazaro contaram a Jesus sua aflição. Temos de manter uma correspondência constante com nosso Senhor acerca de tudo. Jesus sabe tudo sobre nós, porém experimentamos um grande alívio quando derramamos nossos corações diante Dele. Em todo problema que tenham, devem enviar uma mensagem a Jesus, e não guardem seu abatimento dentro de vocês mesmos. Ele é um confidente que nunca nos trairá, um amigo que nunca nos lançará fora. Se você apela a Jesus, e lhe diz: “Senhor, tão cheio de graça, por que estou enfermo? Eu pensava ser útil a Ti enquanto gozava de saúde, e agora não posso fazer nada; por que sucede isso?” Então poderia ser do agrado Dele mostrar-lhe o porquê, ou, se não, fará que estejas disposto a submeter-se com paciência à Sua vontade, ainda que não saiba os motivos. Ele pode transmitir Sua verdade a sua mente para animar-lhe, ou fortalecer seu coração com Sua presença, ou ainda enviar-lhe inesperados consolos e conceder que se alegre em meio as suas aflições. “Derrame diante Dele vosso corações; Deus é nosso refúgio.” Recordem, também, que Jesus pode curar. Não seria sábio rejeitar ao médico e suas medicinas, como tampouco, não seria nem um pouco sábio esquecer do Senhor, e confiar unicamente no homem. A saúde, tanto para o corpo como para a alma, há de se buscar em Deus. Fazemos uso de remédios, porém, esses não podem fazer nada sem o Senhor, “que sara todas as nossas dolências”. Podemos contar a Jesus nossas dores e sofrimentos, nosso declines graduais e nossa tosse desgarrradora. Algumas pessoas têm medo de recorrer a Deus no tocante a sua saúde: pedem perdão pelo pecado, porém não se atrevem a pedir ao Senhor que lhes tire uma dor de cabeça. No entanto, em verdade, se os cabelos da nossa cabeça estão todos contatos por Deus, nos implica uma maior condescendência da parte do Senhor, aliviar as palpitações e as pressões que temos dentro de nossa cabeça. Nossas grandes coisas são muito pequeninas para o grandioso Deus e nossas coisinhas não poderiam ser menores. Podemos correr a Ele no tocante a nossa respiração dificultosa, pois Ele nos deu primeiro os pulmões e a vida. Podemos contar a Ele sobre nossos olhos que perdem vigor, e acerca de nossos ouvidos que perde audição, pois Ele fez a ambos. Podemos mencionar lhe o joelho inflamado, o dedo enrugado, o torcicolo ou pé torcido, pois Ele fez todos esses nossos membros, e os redimiu todos, e os ressuscitará todos da tumba. Mas devemos advertir UM RESULTADO que nós não teríamos esperado. Sem dúvida, quando Maria e Marta enviaram mensagem a Jesus, elas esperavam ver a recuperação de Lázaro tão pronto como o mensageiro chegasse a ELE, porém, não foram contempladas. Durante dois dias o Senhor permaneceu no mesmo lugar, e não foi até Betânia até que soube que Lázaro tinha morrido, ai que falou de ir a Judéia. Isso nos ensina que Jesus pode ser informado de nosso problema, e, no entanto, poderia atuar como se fosse indiferente ao mesmo. Não devemos esperar em cada caso que a orações pela recuperação será atendida, pois se assim fosse, ninguém que tivesse um bebê ou um menino, ou um amigo ou conhecido que orasse por ele, morreria. Em nossas orações pelas vidas dos amados filhos de Deus, não devemos nos esquecer de que há uma oração que poderia estar cruzando com as nossas, pois Jesus ora: “Pai, aqueles que me há dado, quero que onde eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam minha glória.” Pedimos que permaneça conosco, porém quando reconhecemos que Jesus os quer lá em cima, o que podemos fazer se não admitir seu direito superior, e falar: “Não seja como queremos, mas como Tu quer.” Em nosso próprio caso, podemos pedir ao Senhor que nos levante, e, no entanto, ainda que nos ama, poderia permitir que ficássemos pior e pior, até que ao fim, morramos. À vida de Ezequias lhe foram acrescentados 15 anos, mas nós talvez nem mesmo consigamos a prorrogação de um só dia. Nunca dê tanta importância à vida de alguém muito querido para você, e nem a sua própria vida, a ponto de rebelar-se contra o Senhor. Se defendesse a vida de qualquer ser querido com uma mão demasiadamente firme, então estaria fazendo uma vara para suas próprias costas; e se amasses em demasia a sua vida terrena, estaria tecendo uma almofada cheia de espinhos para seu leito de morte. Será o pó tão querido para nós que repliquemos com nosso Deus por sua causa? Se nosso Senhor permite que soframos, não deveríamos nos queixar. Ele fará para nós o que seja mais benéfico e o melhor, pois nos ama mais do que nós amamos a nós mesmos. “Sim, Jesus permitiu que Lázaro morresse, porém, o ressuscitou de novo”! Ele é a ressurreição e a vida para nós também. Consolem-se no que concerne aos que tem partido: “Teu irmão ressuscitará”, e todos aqueles dentre nós cuja esperança está em Jesus, participaremos na ressurreição de nosso Senhor. Não somente viverão nossas almas, mas também nossos corpos serão ressuscitados incorruptíveis. Querido amigo, responde em seu próprio coração essa pergunta: “Você ama a Jesus?” Se O amas, faz isso porque Ele lhe amou primeiro. Está confiado Nele? Se sim, essa sua fé é a prova que Ele lhe tem amado desde antes da fundação do mundo, pois a fé é o sinal pelo qual promete Sua fidelidade a Seu amado. Se Jesus lhe ama, e está enfermo, que todo o mundo veja como você glorifica a Deus em sua enfermidade. Os amigos e as enfermeiras hão de ver como os amados do Senhor são animados e consolados por Ele. Sua santa resignação há de assombra-los, e conduzi-los a admirar seu Amado, que é tão cheio de graça para contigo, e que lhe faz feliz na dor e dá gozo às portas do sepulcro. Regozijando-se no Senhor, ainda que enfermo, mostrará aos incrédulos que aquele a quem o Senhor ama está em uma melhor condição quando está enfermo, que muitos ímpios cheios de saúde e vigor. Se não sabes que Jesus te ama, careces da estrela mais resplandecente para que possa alegrar a noite da enfermidade. Se você não conhece a Cristo, espero que não morras como está agora, e passes ao outro mundo sem gozar do amor de Jesus. Essa seria em verdade uma terrível calamidade. Busca Seu rosto de imediato, e pudera ser que sua atual enfermidade fora uma parte da faceta do amor pelo qual Jesus quer atrair-lhe a Ele.
Senhor, sara os enfermos na alma e no corpo. Amém.

Sermão nº 1518—Volume 26 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,Original em inglês: BELOVED AND YET AFFLICTETradução Armando MarcosNotas: 1

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