sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A LUZ que dissipa as trevas!

Você já deve ter observado que sempre antes de uma tempestade, a luz e a claridade são encobertas pela escuridão e trevas.
Por vezes é exatamente isso que acontece no curso da vida. Quem nunca passou por um momento no qual não conseguiu perceber a luz?
Em situações diferentes, todos passam por esse “vale”.
Quem sabe não seja essa sua localização atual. Pense agora em sua maior dificuldade, exatamente aquilo que lhe aflige a alma.
JESUS CRISTO pode e quer lhe ajudar, tanto como é certo que durante a tempestade o Sol continua no mesmo lugar e apesar de toda a escuridão a luz ainda brilha, embora estejam “momentaneamente” encobertos pelas nuvens. ELE é a luz que dissipa as trevas.
Você pode estar aflito em seu sofrimento, mas tenha em mente que, “Dentre todas as dores, nenhuma é comparável a de Jesus e de todas as aflições, nenhuma corre paralela às aflições de nosso grandioso Substituto.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaias 53:5)
 A batalha desse momento que você e eu participamos de uma ou outra forma é como nada comparada com essa batalha na qual todos os poderes das trevas com seus compactos batalhões lançaram-se contra o Todo Poderoso Filho de Deus. Ele resistiu sua investida inicial, suportou o tremendo golpe de seu assalto, e ao fim, com gritos de vitória, levou cativo o cativeiro.
Por esse motivo eu posso afirmar que se você se encontrar em trevas nesse momento ou se o seu espírito estiver imerso na escuridão, não deve se desesperar, pois o próprio Senhor Cristo esteve lá e é poderoso para  livrar você com mão forte e braço estendido
Você tem noção da grandeza do seu Deus?
Segue abaixo trechos de um sermão de Charles H.Spurgeon para meditação:

As três horas de trevas
Sermão pregado no Domingo de 18 de Abril de 1886.
Por Charles Haddon Spurgeon.
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres
“E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. ” (Mateus 27:45).

Nunca percam de vista que esse milagre de fechar os olhos do dia, exatamente ao meio-dia, foi realizado por nosso Senhor em Sua debilidade. Ele havia caminhado sobre o mar, ressuscitado mortos, e sarado aos enfermos nos dias de Sua força, porém agora, decaiu baixíssimo, está sem forças e sedento. Ele se movimenta nos limites da dissolução, no entanto, possui o poder de escurecer o sol exatamente ao meio-dia.  Ele é ainda verdadeiro Deus.
Se Ele pode fazer isso em Sua debilidade, o que não poderá fazer em Seu poder?
Se nosso Senhor pôde trazer a escuridão ao morrer, que glória não poderíamos esperar agora que Ele vive para ser luz da cidade de Deus para sempre?
A hora mais grandiosa de toda a história humana dava a impressão que passaria sem que se a notasse, quando, subitamente, a noite saiu apressadamente de suas habitações e usurpou o dia.
Não só no Calvário, mas também em todas as colinas, e em cada vale, as trevas baixaram. Houve um hiato na caravana da vida.
Em volta desse grandioso leito de morte conseguiu-se uma quietude apropriada. Não duvido que um gélido terror apoderou-se das massas das pessoas e que os homens prudentes anteciparam coisas terríveis. Os que tinham permanecido ao redor da cruz e se atreveram a insultar a majestade de Jesus, estavam paralisados de terror. Eles cessaram com sua obscenidade e deixaram de cruelmente se alegrarem. Até mesmo os mais vis deles estavam atemorizados, ainda que não convencidos – os demais “se golpeavam nos peitos.”
Deve existir um grande ensino nessas trevas, pois quando nos aproximamos da cruz, que é o centro da história, cada evento está repleto de significado. Luz saltará dessas trevas. Amo sentir a solenidade das três horas de sombras de morte, assentar-me ali e meditar, sem nenhuma companhia, exceto a do Augusto Sofredor, em cujo redor desceram as trevas. Irei apresentar alguns pontos, segundo o Espírito Santo me guie.
Em primeiro lugar, contemplemos essas trevas como UM MILAGRE QUE NOS ASSOMBRA.
Parece-me que, aceitando a existência de Deus, os milagres devem ser esperados como uma declaração ocasional de Sua independência e de Sua vontade ativa.
Conforme os companheiros de nossa juventude morrem ao nosso lado, já não somos tomados pela surpresa, pois a morte está em todo nosso derredor. Porém, que o Filho de Deus morra isso está mais além de toda expectativa, e não só por acima da natureza, mas até mesmo contrário a ela. O que é igual a Deus, suspende numa cruz e morre. Não sei que outra coisa poderia parecer mais fora de toda regra e mais além de toda expectativa que isso. Que o sol se tenha escurecido ao meio dia é um acompanhamento adequado à morte de Jesus.
Quando a lua está cheia, não está em uma posição que possa projetar sua sombra sobre a terra. A Páscoa dos judeus ocorria na lua cheia e, portanto não era possível que houvesse um eclipse solar.
Não me atreverei a explicar a morte do Deus encarnado. Basta-me crer nela, e depositar minha esperança.
Não sabemos como o inocente Filho de Deus pode sofrer por pecados que não eram seus, surpreende-nos que a justiça permita que Alguém tão perfeitamente santo seja levado a clamar “Eloi, Eloi, Lama Sabactani?” Porém, assim aconteceu, e tal por decreto da mais excelsa justiça, e nos alegramos por isso. 
Nossa fé se sente em casa na terra das maravilhas, onde os pensamentos do Senhor encontram-se tão altos sobre nossos pensamentos, assim como os céus são mais altos que a terra.
Agora, dentre todas as dores, nenhuma é comparável a de Jesus e de todas as aflições, nenhuma corre paralela às de nosso grandioso Substituto.
Da mesma maneira que a luz mais poderosa projeta a sombra mais profunda, assim o surpreendente amor de Jesus custou-lhe uma morte que não é a sorte comum dos homens.
Todas as coisas na história humana convergem na cruz, que não parece ser para nada uma ocorrência ou um recurso posterior, mas sim o canal adequado e ordenado desde o princípio pelo qual correria o amor até alcançar o homem culpado.
Fora do alcance do olho mortal o Senhor fez a redenção de Seu povo. Ele fez em silêncio um milagre de paciência e amor, por meio do qual a luz veio aos que habitam nas trevas e no vale das sombras da morte.
Havia algo mais que angústia no Calvário: o desprezo amargava tudo. As zombarias, essas cruéis piadas, os escárnios, sinais que eles fizeram com a língua, que diremos disso tudo? Algumas vezes senti uma pequena simpatia por esse príncipe francês que falava: “Se eu tivesse estado lá com meus guardas, teria varrido todos esses desgraçados.” Era um espetáculo demasiadamente terrível: a dor da vítima era extrema, porém, quem poderia suportar a abominável iniquidade dos zombadores?
Jesus devia morrer, para Sua dor não podia existir alívio, e não podia ser liberto da morte, porém, os burladores deviam se calar. Da maneira mais efetiva suas bocas foram fechadas pelas densas trevas que os envolveram.
Quando Deus levanta Seu Filho, e o faz visível, esconde o pecado dos homens. Ele diz que “Deus, tendo passado por alto os tempos dessa ignorância.” Ainda mesmo a grandeza de seus pecados Ele dá as costas, de tal forma que não precisa mais vê-los, mas pode exercer Sua paciência, e permitir que Sua piedade suporte as provações dos homens.
Eu bendigo devotamente a Deus por esconder dessa forma a meu Senhor. Assim, Ele foi coberto dos olhos que não eram dignos de ver o Sol e muito menos de ver ao Sol da Justiça.
A teologia moderna possui como seu principal objetivo o obscurecimento da doutrina da expiação. Esses modernos polvos tingem de negro a água da vida. Fazem do pecado algo sem importância, e seu castigo só um assunto temporal degradando assim o remédio ao retirar a importância da enfermidade.
Chegaram a amar as trevas mais que a luz porque suas obras são más. Nessas trevas eles não se arrependem, mas sim seguem rejeitando ao Cristo de Deus.
“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” Não foi a coroa de espinhos, nem o látego, nem a cruz que o motivaram a clamar, mas sim a escuridão, a terrível escuridão do abandono que oprimia Sua mente e o fazia sentir um completo atordoamento.
Vejo também nessa escuridão aquilo com o que Jesus estava combatendo; porque jamais devemos esquecer que a cruz era um campo de batalha para Ele, onde triunfou de maneira gloriosa. Nesse momento, estava combatendo com as trevas, com os poderes da escuridão dos quais, Satanás é o cabeça – com as trevas da ignorância humana, com a depravação e com a falsidade. A batalha que foi tão evidente no Gólgota foi da mesma intensidade desde sempre. Nesse momento o conflito chegou a seu clímax – pois os caudilhos dos grandes exércitos enfrentaram-se em um conflito pessoal.
A batalha desse momento que você e eu participamos de uma ou outra forma é como nada comparada com essa batalha na qual todos os poderes das trevas com seus compactos batalhões lançaram-se contra o Todo Poderoso Filho de Deus. Ele resistiu sua investida inicial, suportou o tremendo golpe de seu assalto, e ao fim, com gritos de vitória, levou cativo o cativeiro.
Ele, por Seu poder e Divindade, converteu a meia-noite em dia novamente, e trouxe de novo para esse mundo um reino de luz que, bendito seja Deus, jamais terá fim.
Não tenhamos medo de toda escuridão que nos ronda a caminho de casa, já que Jesus é a luz que conquista tudo. 
Meus irmãos, nenhuma luz virá aos corações submersos na escuridão a menos que Jesus fale, e a luz não será clara a menos que ouçamos a voz de Suas aflições por nossa causa, conforme exclama: “porque me desamparaste?” Sua voz de dor deve ser o fim de nossas dores, Seu grito nas trevas deve alegrar nossas tristezas, e deve trazer a manhã celestial para nossas mentes. 
Todas as luzes são frágeis quando Cristo não brilha. Tudo é escuridão quando Ele não brilha.
Meus irmãos, vocês logo perdem suas energias, seus espíritos desmaiam, e suas mãos se cansam se o Cristo não está com vocês.
Todo nosso trabalho e esforço terminarão em vaidade a menos que o trabalho e esforço de Cristo sejam nossa primeira e única esperança.
O pecado que ocultou Cristo em trevas e o fez morrer em trevas, escurece o mundo todo. O pecado que ocultou a Cristo em trevas e o fez pender da cruz, está escurecendo aos que não creem Nele.
Se nos encontramos em trevas nesse momento, se nossos espíritos estão imersos na escuridão, não desesperemos, pois o próprio Senhor Cristo esteve lá. Caso eu tenha caído na miséria por causa do pecado, não devo abandonar toda esperança, pois o Amado do Pai passou por uma escuridão mais densa que a minha. 
Ele está onde a mulher de espírito contristado move seus lábios em oração.
Fique quieto em sua negra aflição, e diga: “Oh, Senhor, o pregador me diz que Tua cruz uma vez esteve em tal negridão como essa. Oh Jesus, ouve-me!” Ele te responderá: O Senhor irá vigiar desde o pilar das nuvens e derramará uma luz sobre você. “Pois conheci suas angústias,” Ele disse. O quebrantamento do coração não é algo estranho para Ele. Cristo também sofreu uma vez pelo pecado. Confia Nele e Ele fará que Sua luz brilhe sobre você. Descanse Nele, e Ele o livrará desse deserto tenebroso, e o levará à terra do descanso.
Se você encontrou ao Senhor, o exorto a que jamais o deixe ir, una-se a Ele até que o dia venha e as sombras fujam. Que Deus o ajude a fazer isso por Jesus! Amém.

Deus abençoe sua vida!

FONTE
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público

Sermão nº 1896— THE THREE HOURS OF DARKNESS -  do volume 32 do TheMetropolitan Tabernacle Pulpit,
Tradução e revisão: Armando Marcos Pinto



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