sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Aprendendo com JESUS CRISTO ...

Para dizer que conhece alguém você precisa no mínimo saber sobre sua vida, maneira de se comportar, atitudes, forma de se expressar...
Você conhece JESUS CRISTO?
Antes de destacar suas qualidades divinas, ELE foi um homem amável, gentil, dócil, cheio de amor e compaixão. ELE é um mestre que ensinou sobre o perdão, sobre se doar, respeitar, ser humilde e amar o próximo.
Seu desejo era que o homem “não se conformasse com este mundo, mas que se transformasse pela renovação da mente, para que experimentasse qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2
Essa transformação deveria ser impreterivelmente de dentro para fora para se eficaz.
Estive lendo um livro intitulado “ O mestre dos mestres – Augusto Cury”, onde o autor comenta características da personalidade de CRISTO. Irei compartilhar trechos da obra e espero que contribua para que você conheça CRISTO um pouco melhor e compreenda qual é o desejo DELE para a sua vida e para a humanidade.
O mestre dos mestres – Augusto Cury
A vida de Cristo sempre foi árida, sem nenhum privilégio econômico e social. Conheceu intimamente as dores da existência. Contudo, ao invés de se preocupar com as suas próprias dores e querer que o mundo gravitasse em torno das suas necessidades, ele se preocupava com as dores e necessidades alheias.
Cristo vivenciou sofrimentos e perseguições desde a sua infância. Foi incompreendido, rejeitado, zombado, cuspido no rosto. Foi ferido física e psicologicamente. Porém, apesar de tantas misérias e sofrimentos, não desenvolveu uma emoção agressiva e ansiosa; pelo contrário, ele exalava tranquilidade diante das mais tensas situações e ainda tinha fôlego para discursar sobre o amor no seu mais poético sentido.
A personalidade é constituída de muitos elementos. Em síntese, ela se constitui da construção de pensamentos, da transformação da energia emocional, do processo de formação da consciência existencial (quem sou, como estou, onde estou), da história inconsciente arquivada na memória, da carga genética.
Aqui convencionarei que a inteligência é a manifestação da personalidade diante dos estímulos do mundo psíquico bem como dos ambientes e das circunstâncias em que uma pessoa vive.
A ciência se cala quando a fé se inicia. A fé transcende a lógica, é uma convicção em que há ausência de dúvida. A ciência sobrevive da dúvida. Quanto maior for a dúvida, maior poderá ser a dimensão da resposta. Sem a arte da dúvida, a ciência não tem como sobreviver e expandir a sua produção de conhecimento. Cristo discorria sobre a fé.
Falava da necessidade de crer sem duvidar, de uma crença plena, completa, sem insegurança.
Falava da fé como um misterioso processo de interiorização, como uma trajetória de vida clandestina. Discorria sobre a fé como um viver que transcende o mundo material, que extrapola o sistema sensorial e que cria raízes no âmago do espírito humano. A ciência não tem como investigar o que é essa fé, pois ela tem raízes no cerne da experiência pessoal, portanto não se torna um objeto de estudo investigável. Todavia, apesar de Cristo falar da fé como um processo de existência transcendental, ele não anulava a arte de pensar; pelo contrário, era um mestre excepcional nessa arte. Cristo não discorria sobre uma fé sem inteligência.
Para Ele, primeiro deveria se exercer a capacidade de pensar e refletir e depois vinha o crer sem duvidar.
Um dos maiores problemas enfrentados por Cristo era o cárcere intelectual em que as pessoas viviam, ou seja, a rigidez intelectual com que elas pensavam e compreendiam a si mesmas e ao mundo que as envolviam. Por isso, apesar de falar da fé como ausência da dúvida, ele também era um mestre sofisticado no uso da arte da dúvida. Ele a usava para abrir as janelas da inteligência das pessoas que o circundavam.
Como Cristo usava a arte da dúvida? Se observarmos os textos dos quatro evangelhos
veremos que ele era um excelente perguntador, um ousado questionador. Usava a arte da pergunta para conduzir as pessoas a refletir a respeito de si mesma e a se questionar. Também era um exímio contador de parábolas que perturbava os pensamentos de todos os seus ouvintes.
Cristo apreciava ser analisado e indagado com inteligência. Ele era crítico das pessoas que o investigavam superficialmente.
Se estudarmos as intenções conscientes e inconscientes dos autores dos evangelhos, constataremos que eles não tinham a intenção de fundar uma filosofia de vida, de promover um herói político, de construir um líder religioso nem um homem diante do qual o mundo deveria se curvar. Eles queriam apenas descrever uma pessoa incomum que mudou completamente a vida deles. Queriam registrar fatos, mesmo que incompreensíveis e estranhos aos leitores, que Cristo viveu, discursou e expressou.
Se os evangelhos fossem fruto da imaginação literária desses autores, eles não falariam mal de si mesmos, não comentariam a atitude frágil e vexatória que tiveram ao se dispersar quando Cristo foi preso. Quando Cristo se entregou aos seus opositores e deixou sua eloquência e seus atos sobrenaturais de lado, os discípulos ficaram frágeis e confusos.
Naquela situação estressante, as janelas de suas mentes foram fechadas e eles o abandonaram. Pedro jurou que não negaria a Cristo. Amava tanto esse mestre que disse que se possível morreria com ele. Porém, Pedro, numa situação delicada, o negou. E não apenas uma vez, mas três vezes, e ainda diante de pessoas sem qualquer poder político.
Quem contou aos autores dos quatro evangelhos que Pedro negou a Cristo por três vezes para alguns servos? Quem contou a sua atitude vexatória se ninguém do seu círculo de amigos sabia que ele O havia negado? Pedro, ele mesmo, teve a coragem de
contá-lo. Que autor falaria mal de si mesmo? Pedro não apenas contou os fatos, mas expôs os detalhes da sua negação.
Com quem Pedro, que, quando jovem, era um rude e inculto pescador, aprendeu a ser tão sincero, tão honesto consigo mesmo, a ponto de falar de suas próprias misérias? Ele
deve ter aprendido com alguém que, no mínimo, admirava muito. Alguém que tivesse
características tão complexas na sua inteligência que fosse capaz de ensinar a Pedro a se
repensar e a reciclar profundamente seus valores existenciais. O Cristo descrito nos evangelhos tinha tais características.
Pedro aprendeu com Cristo a difícil arte de ser fiel à sua própria consciência, a assumir seus erros e suas fragilidades. O que indica que esse Cristo não era um personagem literário, mas uma pessoa real.
Quando Cristo foi aprisionado, injuriado e espancado, o jovem João o abandonou, fugiu
desesperadamente, juntamente com os demais discípulos. Além disso, João, o próprio autor do quarto evangelho, descreveu com uma coragem ímpar a sua fragilidade e impotência diante da dramática dor física e psicológica do seu mestre na cruz.
O homem tende a esconder suas fragilidades e seus erros, mas os biógrafos de Cristo
aprenderam a ser fiéis a sua consciência. Aprenderam com Cristo a arte de destilar a
sabedoria dos erros. Ao estudar as biografias de Cristo, constatamos que a intenção
consciente e inconsciente dos seus autores era apenas expressar com fidelidade aquilo que viveram, mesmo que isso fosse totalmente estranho aos conceitos humanos.
Se Cristo fosse fruto da imaginação dos seus biógrafos, eles não apenas teriam riscado os dramáticos momentos de hesitação que tiveram, mas também teriam riscado dos seus escritos a dramática angústia que o próprio Cristo passou na noite em que foi traído, no Getsêmani.
A descrição da dor de Cristo é uma evidência de que ele não era uma criação literária.
O mundo dobrou-se aos seus pés não pela inteligência dos autores dos quatro evangelhos, pois neles não há intenção de produzir um texto com grande estilo literário. O mundo O reconheceu porque seus pensamentos e atitudes eram tão eloquentes que falavam por si só, não precisavam de arranjos literários dos seus biógrafos.
O que chama a atenção nas biografias de Cristo são seus comportamentos incomuns, seus gestos que extrapolam os conceitos, sua capacidade de considerar a dor de cada ser humano mesmo diante da sua própria dor.
Até os seus momentos de silêncio tinham grande significado.
A personalidade de Cristo é “inconstrutível” pela imaginação humana. As diferenças nas biografias de Cristo sustentam a história de um personagem real.
Durante alguns anos eu pensava que as pequenas diferenças existentes nas passagens comuns dos quatro evangelhos diminuíam a credibilidade deles. Com o decorrer da minha análise, compreendi que essas diferenças também eram importantes para atestar a existência de Cristo.
Compreendi que as suas biografias não procuravam ser cópias umas das outras. Eram
resultado da investigação de diferentes autores em diferentes épocas sobre alguém que possuía uma história real. Todos os evangelhos relatam Pedro negando a Cristo. Porém, quando Pedro o negou pela terceira vez, somente Lucas em seu evangelho comenta que Cristo, naquele momento, voltou-se para Pedro e o olhou fixamente.
As diferenças de relatos nos quatro evangelhos, ao contrário do que muitos podem pensar, não depõem contra a história de Cristo, mas financiam a sua credibilidade. Vejamos esta tese. Lucas era médico e, como tal, aprendeu a investigar os fatos detalhadamente. Ele tinha um “olho clínico” acurado, devia detectar fatos que ninguém observava ou dava importância. Quando, muitos anos após a morte de Cristo, interrogou Pedro e colheu os detalhes daquela cena, captou um gesto de Cristo que passou despercebido pelos outros autores dos evangelhos.
Captou que Cristo, mesmo sendo espancado e injuriado, ainda assim esqueceu-se da sua própria dor e se preocupou com Pedro.
Pedro comentou com Lucas que no instante em que ele o negava pela terceira vez, Cristo virou-se para ele e o fitou profundamente.
O olhar de Cristo esconde nas entrelinhas complexos fenômenos intelectuais e uma delicadeza emocional. Mesmo no extremo da sua dor ele se preocupava com a angústia dos outros, sendo capaz de romper o instinto de preservação da vida e acolher e encorajar as pessoas, ainda que fosse com um olhar...
Quem é capaz de se preocupar com a dor dos outros no ápice da sua própria dor? Se muitas vezes queremos que o mundo gravite em torno de nossas necessidades quando estamos emocionalmente tranquilos, imagine quando estamos sofrendo, ameaçados, desesperados.
Pedro talvez só tenha tido uma compreensão plena da dimensão deste olhar após trinta anos da morte de Cristo, ou seja, depois que Lucas, com seu olho clínico, investigou a história do próprio Pedro e captou aquela cena e a descreveu no ano 60 d.C., que foi a data provável em que ele produziu o seu evangelho.
Essas diferenças em suas biografias atestam que elas eram fruto de um processo de investigação realizado por diferentes autores que enfocaram diversos aspectos históricos. Os evangelhos são quatro biografias “incompletas” produzidas, em tempos diferentes, por pessoas que foram cativadas pela história de Cristo.
Cristo, em alguns momentos, revelava claramente seus pensamentos, mas em seguida se
ocultava nas entrelinhas das suas reações e das suas parábolas, o que o torna difícil de ser compreendido. Ele se revelava e se ocultava continuamente. Por que tinha tal comportamento?
Sua história nos revela que não era somente porque não procurava o brilho social, mas porque tinha um grande propósito: queria produzir uma revolução no interior do homem, uma revolução transformadora, difícil de ser analisada. Queria produzir uma transformação nas entranhas do espírito e da mente humana, capaz de gerar tolerância, humildade, justiça, solidariedade, contemplação do belo, cooperação mútua, consideração pela angústia do outro.
Cristo tinha plena consciência do que fazia. Tinha metas e prioridades bem estabelecidas.
Era seguro e determinado, ao mesmo tempo flexível, extremamente atencioso e educado. Tinha grande paciência para educar, mas não era um mestre passivo, e sim provocador. Ele despertava a sede de conhecimento nos seus íntimos. Informava pouco, porém educava muito. Mesclava a singeleza com a eloquência, a humildade com a coragem intelectual, a amabilidade com a perspicácia.
Os judeus esperavam alguém que os libertasse do jugo romano, mas veio alguém que queria libertar o homem das suas misérias psíquicas. Esperavam alguém que fizesse uma revolução exterior, mas veio alguém que propôs uma revolução interior.
A escola da existência é tão complexa que nela se pode ler uma infinidade de livros de autoajuda e continuar, ainda assim, a ser inseguro e ter dificuldades de lidar com as
contrariedades. Nela, o maior sucesso não está fora do homem, mas em conquistar terreno dentro de si mesmo; a maior jornada não é exterior, mas caminhar nas trajetórias do próprio ser. Nessa escola, os melhores alunos não são aqueles que se gabam dos seus sucessos, mas os que reconhecem seus conflitos e limitações.
Todos passam por determinadas angústias e ansiedades, pois algumas das mazelas da vida são imprevisíveis e inevitáveis. Na escola da existência se aprende que a experiência se adquire não só dos acertos e das conquistas, mas, muitas vezes, das derrotas, das perdas e do caos emocional e social. Foi nessa escola, tão sinuosa, que Cristo se tornou o mestre dos mestres.
A melhor maneira de conhecer a inteligência de uma pessoa é observá-la não nos ambientes isentos de estímulos estressantes, mas nos territórios em que eles estão presentes.
Viver com dignidade e maturidade a vida que pulsa no palco de nossas existências é uma arte que todos temos dificuldades de aprender. Cristo era um poeta da existência.
Suas biografias revelam que ele reconhecia e reciclava suas dores continuamente. Assim, em vez de elas O destruírem, ele as usava como alicerce da sua inteligência.
Ele expressava que primeiro o interior, ou seja, o mundo dos pensamentos e das emoções deviam ser transformados, caso contrário a mudança exterior não teria estabilidade, não passaria de mera maquiagem social.
Cristo gostava de conviver com as pessoas sem qualquer valor social. Era o exemplo vivo de uma pessoa avessa a todo tipo de discriminação. Ninguém, por mais imoral e defeitos que tivesse, era indigno de se relacionar com ele. Ele se doava sem esperar nada em troca.
Cristo conseguia captar os sentimentos íntimos das pessoas, perceber seus conflitos mais clandestinos e atuar neles com inteligência e eficiência.
Ele não expunha publicamente os erros das pessoas, mas ajudava-as com discrição, considerando-as acima dos seus erros, conduzindo-as a se repensarem. Embora fosse eloquente, expunha e não impunha suas ideias. Não persuadia e nem procurava convencer as pessoas a crer nas suas palavras.
Não as pressionava para que o seguissem, apenas as convidava. A responsabilidade de crer nele era exclusivamente delas.
No século XIX e principalmente no XX a ciência teve um desenvolvimento explosivo.
Paralelamente a isto, o ateísmo floresceu como nunca. A ciência tanto progredia quanto
prometia muito.
Milhões deles, inclusive muitos intelectuais, baniram Deus de suas vidas, de suas histórias. A ciência se tornou o deus do homem. Ela prometia conduzi-lo a dar um salto
nos amplos aspectos da prosperidade biológica, psicológica e social.
A ciência desenvolveu-se intensamente, todavia frustrou o homem. De um lado, fez e continua fazendo muito,  mas não o mundo intrapsíquico, o mundo de dentro do homem, o cerne da sua mente.
Conduziu o homem a conhecer o imenso espaço e o pequeno átomo, mas não o conduziu a explorar seu próprio mundo interior.
A omissão e a timidez da ciência fizeram com que Cristo fosse banido das discussões acadêmicas, não sendo estudado ou investigado nas salas de aulas. Sua complexa inteligência não é objeto de pesquisa embora a inteligência de Cristo possua princípios intelectuais sofisticados, capazes de estimular o processo de interiorização e o desenvolvimento das funções mais importantes da inteligência.
Cristo se adiantou no tempo e discorreu sobre a mais insidiosa das doenças psíquicas, a ansiedade, ele discorria que as preocupações exageradas com a sobrevivência, os pensamentos antecipatórios, o enfretamento de problemas virtuais, a desvalorização do ser em relação ao ter etc. eram o que cultivavam a ansiedade doentia.
O mestre da escola da existência era um grande sábio. As causas que ele apontou não mudaram no mundo moderno; pelo contrário, elas se intensificaram. Quanto mais conquistamos bens materiais, mais queremos tê-los. Parece que não há limites para a nossa insegurança e insatisfação. Valorizamos mais “ter” do que “ser”, ou seja, mais ter bens do que ser tranquilo, alegre, coerente. Esta inversão de valores cultiva a ansiedade e seus frutos: insegurança, medo, apreensão, irritabilidade, insatisfação, angústia (tensão emocional associada a um aperto no tórax). A insegurança é uma das principais manifestações da ansiedade.
A maior fonte de entretenimento humano é o mundo das ideias, dos pensamentos, que o ser humano constrói em sua própria mente, e que gera os sonhos, os planos, as aspirações. Quem consegue interromper a construção de pensamentos? É impossível.
Pensar não é uma opção voluntária do homem; é o seu destino inevitável... Não podemos interromper a produção de pensamentos; só podemos gerenciá-la.
Cristo tanto prevenia a ansiedade como discursava sobre o prazer de viver. Dizia: “ Olhai os lírios dos campos”. Ele queria produzir um homem alegre, inteligente, mas simples. Entretanto, tanto seus discípulos como nós não sabemos contemplar os lírios dos campos, ou seja, não sabemos extrair o prazer dos pequenos eventos da vida.
Cristo não frequentou escola, não estudou as letras, mas foi o mestre dos mestres na
escola da vida.

A memória humana funciona como um canteiro de dados para que o homem se torne um construtor de pensamentos. Cristo tinha consciência disso, pois usava a memória como trampolim para expandir a arte de pensar. Estava sempre estimulando os seus discípulos a se interiorizar e a se repensar. Por que a memória humana não funciona como a memória dos computadores? Não recordamos o passado com exatidão não apenas pelas dificuldades de registro cerebral, mas também porque um dos mais importantes papéis da memória não é transformar o homem num repetidor de informações do passado, mas um engenheiro de ideias, um construtor de novos pensamentos.
Este fenômeno, além de estimular o homem a ser um engenheiro de ideias, contribui
para desobstruir a inteligência em situações dramáticas. Por exemplo, uma mãe que perde um filho poderia paralisar sua inteligência, pois recordaria continuamente ao longo da vida a mesma experiência de dor vivida no velório dele. Porém, como a recordação do presente é sempre distinta do passado, ainda que minimamente, a mãe vai pouco a pouco aliviando inconscientemente a dor da perda, apesar da saudade nunca mais ser resolvida. Com isso ela volta a ter prazer de viver.
Sem tais mecanismos intelectuais,  não apenas as experiências de dor e fracasso poderiam paralisar nossas inteligências, mas também as de alegria e sucesso poderiam nos fazer gravitar em torno delas.
Cristo estava continuamente conduzindo seus discípulos a pensar antes de reagir, a abrir as janelas de suas mentes mesmo diante do medo, dos erros, dos fracassos e das dificuldades.
Verificamos que Cristo sabia que os pensamentos não registram-se na mesma intensidade, que havia determinadas experiências que obtinham um registro privilegiado no inconsciente da memória. Por isso, toda vez que queria ensinar algo complexo ou estimular uma função importante da inteligência, tal como aprender a se doar, a pensar antes de reagir, a reciclar a competição predatória, usava gestos surpreendentes que chocavam a mente das pessoas e marcava para sempre a memória delas.
O mestre dos mestres entendia as limitações humanas, sabia que era difícil para o homem administrar suas emoções, principalmente nos focos de tensão. Sabia que facilmente perdemos a paciência quando estressados, que nos irritamos por pequenas coisas e ferimos as pessoas que mais amamos. Para Ele, o mal é o que sai de dentro do ser humano e não o que está fora dele.
Estimulava seus íntimos a serem fortes numa esfera em que costumamos ser fracos: fortes em administrar a impaciência, rápidos em reconhecer as limitações, seguros em reconhecer os fracassos, maduros em tratar com as dificuldades de relacionamento social.
Registramos de maneira mais privilegiada as experiências que tiverem mais conteúdo emocional, seja ele prazeroso ou angustiante, por isso temos mais facilidade de recordar as experiências mais marcantes de nossas vidas, tanto as que nos causaram alegrias como aquelas que nos frustraram.
Cristo não queria que as turbulências emocionais fossem continuamente registradas na
memória, engessando a personalidade. Queria que seus discípulos fossem livres no território da emoção.
Se não formos rápidos e inteligentes para tratar com nossas ansiedades, intolerâncias, impaciências, fobias, então nós as retroalimentaremos em nossas memórias. Assim, nos tornaremos o nosso maior inimigo; reféns de nossas emoções.
Cristo indicou ao longo do relacionamento que teve com seus discípulos, que tinha
consciência de que a memória não pode ser deletada. Veremos que não queria destruir a
personalidade das pessoas que conviviam com ele. Pelo contrário, desejava transformá-las essencialmente, amadurecê-las e enriquecê-las. O maior líder não é aquele que é capaz de governar o mundo, mas aquele que é capaz de governar a si mesmo.
As biografias de Cristo evidenciam que ele era uma pessoa aberta e inclusiva. Não
classificava as pessoas. Ninguém era indigno de se relacionar com ele, por pior que fosse seu passado.
Vejamos um exemplo de como Cristo lidava com a ditadura do preconceito. Havia uma mulher samaritana, cuja moral era considerada da pior qualidade. Ela teve tantos “maridos” (cinco) que talvez tenha batido o recorde na sua época. Era uma pessoa infeliz e insatisfeita.
Cristo teve um diálogo profundo, elegante e acolhedor com a samaritana.
Para ele, ela era acima de tudo um ser humano, independente da sua raça e sua moral. Dificilmente alguém foi tão acolhedor como ele com pessoas consideradas tão indignas.
Cristo comentou que ela vivia insatisfeita, que precisava experimentar um prazer mais profundo que pudesse saciá-la. Ele a perturbou dizendo que a água que ela estava tirando daquele poço saciava-a por pouco tempo, mas que ele possuía uma “fonte de água” que poderia satisfazê-la para sempre. Realmente seu diálogo foi perturbador e incomum.
Todas as pessoas que ficavam íntimas de Cristo perdiam espontaneamente o medo de assumir a sua história, se interiorizavam e se tornavam fortes em reconhecer suas fragilidades, o que fazia com que ficassem saudáveis emocionalmente.
A inteligência de Cristo abre preciosas janelas capazes de expandir a qualidade de vida,
superar a solidão e enriquecer as relações sociais.
Cristo criou ricos canais de comunicação com seus íntimos. Tratou das raízes mais profundas da solidão. Construiu um relacionamento aberto, ricamente afetivo, despreconceituoso. Valorizou elementos que o poder econômico não pode comprar. Cristo reorganizou o processo de construção das relações humanas entre seus discípulos. As relações interpessoais deixaram de ser um teatro superficial para ser fundamentadas num clima de amor poético, regado à solidariedade, à busca de ajuda mútua, a um diálogo agradável. Cristo abalou o pensamento de sua sociedade. Era quase impossível ter uma reação de indiferença diante dele. As pessoas que passavam por ele o amavam muito ou o rejeitavam drasticamente. Diante das suas palavras, elas se perturbavam intensamente ou abriam as janelas de suas mentes e começavam enxergar a vida de maneira totalmente diferente de como a viam...
Cristo discursou sobre a necessidade de o homem ter prazer no seu mais pleno sentido. Teve a coragem de dizer que podia gerar no cerne do ser humano um prazer que flui continuamente, uma satisfação plena, um êxtase emocional, que poderia resolver sua angústia existencial.
Crer ou não em suas palavras é uma questão pessoal, íntima, pois seus pensamentos fogem à investigação científica, extrapolam a esfera dos fenômenos observáveis.
Cristo expressava que somente por meio dessa revolução íntima, o homem poderia vencer a paranóia do materialismo desinteligente e do individualismo e desenvolver os sentimentos mais altruístas da inteligência, como a solidariedade, a cooperação social, a preocupação com a dor do outro, o prazer contemplativo, o amor como fundamento das relações sociais.
Ele se doou e se preocupou tanto com a dor do “outro”, e ninguém se preocupou com a sua dor. Ele foi ferido e rejeitado sem oferecer motivos para tanto. Era tão dócil, mas foi tratado com muita violência. Não queria o trono político, mas foi tratado como se fosse o mais agressivo dos revolucionários.
Para o homem pensante, a morte estanca o show da vida, produzindo a mais grave crise existencial de sua história. A vida física morre e se descaracteriza, mas a vida psicológica clama pela continuidade da existência.
A inteligência humana não consegue compreender o fim da vida. Os que pensam em suicídio de fato não querem matar a vida, terminar a existência, mas “matar” a dor emocional, a angústia, o desespero que abate suas emoções. O pensamento de Cristo referente ao fim da existência tinha uma ousadia e complexidade impressionante. Ele discursava sobre a imortalidade com uma segurança incrível.
Não deixava margem de dúvida sobre seu pensamento.
Discursava que a vida eterna passava por ele. Disse: “Quem crer em mim, ainda que morra, viverá!” “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer esse pão viverá para sempre”.
Cristo disse que se alguém cresse nele e o aceitasse interiormente, essa pessoa teria a vida eterna, a vida inesgotável e infinita.
Falava dele mesmo, discorria sobre a sua própria vida e o poder que ele expressava que ela continha! Chegou até a expressar que Ele era “o caminho, a verdade e a vida”. Ao proferir essas palavras, atribuiu a si mesmo o caminho para chegar à verdade em seus amplos aspectos e o caminho para se conquistar uma vida infindável.
Cristo colocou-se numa posição que a ciência jamais pôde atingir.
Ele se posicionou como filho de Deus, como autor da existência, como arquiteto da vida ou qualquer outro nome que se possa dar.
O que a ciência pode dizer a respeito dos pensamentos de Cristo sobre a eternidade? Nada! A ciência, por ser produzida dentro dos intervalos de tempo, não tem como confirmar nem discordar dele.
Cristo objetivava que o homem fosse um ser alegre, plenamente satisfeito e que vivesse uma
vida interminável, infinita, sem limites de tempo. Sua proposta, embora muitíssimo atraente,
deixa a ciência perplexa. Amar ou rejeitar tal proposta é um assunto íntimo, pessoal, que não
depende da ciência.
Nele todos se tornam indistintamente seres humanos. Nunca alguém considerou tão dignas pessoas tão indignas. Nunca alguém exaltou tanto pessoas tão desprezadas. Nunca alguém incluiu tanto pessoas tão excluídas. Cristo despertava a sede do saber.
Inclusive em seus  gestos e momentos de silêncio foram tão eloquentes que modificaram a trajetória da vida deles.
Raramente as pessoas se interessam em pensar quando precisam lutar para sobreviver. Raramente o mundo das idéias se expande quando o corpo é espremido pela dor da fome, quando a vida é castigada pela miséria. Porém Cristo brilhou na sua inteligência, embora desde a infância tivesse sido castigado pela miséria. Além disso, o que é mais interessante, ele conduziu as pessoas da sua época, tão castigadas pela miséria física e psicológica, a ter uma fome do saber que transcendia as necessidades básicas de sobrevivência. Na época de Cristo, o povo de Israel vivia sob o domínio do Império Romano. Sobreviver era difícil.
As pessoas na época de Cristo estavam preocupadas em comer pão e não em pensar, porém descobriram que não só de pão viverá o homem.
Cristo não prometia uma vida fácil e nem fartura material. Ele discursava sobre uma outra esfera, um reino dentro do homem, que implicava um processo de transformação íntima.
Cristo tinha tanto coragem para expor seus pensamentos como para permitir que as pessoas o abandonassem. É muito difícil reunir essas duas características numa mesma pessoa. Faz bem à saúde do cérebro e à saúde psíquica colocar-se como aprendiz diante da existência. O orgulho gera muitos filhos, um dos quais é a dificuldade de reconhecimento de erros e uma necessidade compulsiva de estar sempre certo.
Aquele que recicla seu orgulho e se liberta do jugo de estar sempre certo, transita pela
vida com mais tranquilidade. A pessoa que reconhece suas limitações é mais madura do que a que se senta no trono da verdade...
Cristo demonstrava que precisava mais do que admiradores e simpatizantes de sua causa, ELE precisava de uma mente aberta, de um espírito livre e sedento.
As dores da existência, tanto as físicas quanto, principalmente, as psicológicas, deveriam ser aliviadas. Todavia, para Cristo, elas deveriam ser usadas para lapidar as arestas da personalidade. O ser humano aprende facilmente a lidar com seus sucessos e ganhos, mas tem grande dificuldade de aprender a lidar com seus fracassos e perdas.
Qualquer pessoa aprende a lidar bem com as primaveras da vida, mas só os sábios aprendem a viver com dignidade nos invernos existenciais...
Cristo foi ofendido diversas vezes, porém sabia proteger a sua emoção. Somente uma pessoa forte e livre é capaz de refletir sobre as ofensas e não ser ferida por elas. Cristo era forte e livre em seus pensamentos, por isso podia dar respostas excepcionais em situações em que dificilmente havia espaço para pensar, em situações em que facilmente a ira nos invadiria.
Muitos fazem de suas emoções um depósito de lixo. Não filtram os problemas, as ofensas, as dificuldades que atravessam, pelo contrário, elas entram dentro de si com extrema facilidade, gerando angústia e stress. Todavia, Cristo não se deixava invadir pelas turbulências da vida. Preservava sua emoção das contrariedades. Ele a administrava com exímia habilidade, pois filtrava os estímulos angustiantes, estressantes. Não apenas o medo não fazia parte do seu dicionário da vida, mas também o desespero, a ansiedade, a insegurança e a instabilidade.
Todos elogiam a primavera e esperam ansiosamente por ela, pois pensam que as flores surgem nessa época do ano. Na realidade, as flores surgem no inverno, ainda que clandestinamente, e se manifestam na primavera. A escassez hídrica, o frio, a baixa luminosidade, pertinentes ao inverno, castigam as plantas, levando-as a produzir metabolicamente as flores que desabrocharão na primavera. As flores contêm as sementes, e as sementes expressam uma tentativa de continuação do ciclo da vida das plantas diante das intempéries que atravessaram no inverno. O caos do inverno é responsável pelas flores da primavera.
Ao analisar a história de Cristo, fica visível que os invernos existenciais pelos quais ele
passava não o destruíam, pelo contrário, geravam nele uma bela primavera existencial,
expressa por sua sabedoria, amabilidade, tranquilidade, tolerância, capacidade de
compreender e superar os conflitos humanos.
As pessoas que passam pelas dores existenciais e as superam com dignidade ficam mais bonitas e interessantes interiormente. O medo alimenta a dor... não há um ser humano que não atravesse invernos existenciais. Algumas perdas e frustrações que vivemos são imprevisíveis e inevitáveis. Quem consegue evitar todas as dores da existência? Quem nunca teve momentos de fragilidade e chorou lágrimas úmidas ou secas?
Quem consegue evitar todos os erros e fracassos? O homem, por mais prevenido que seja, não consegue controlar todas as variáveis da vida e evitar determinadas angústias.
Todos passamos por focos de tensão. As preocupações existenciais, os desafios profissionais, os compromissos sociais e os problemas nas relações interpessoais geram continuamente focos de tensão que, por sua vez, geram stress e ansiedade. Os focos de tensão podem exercer um controle sobre a inteligência que nos impede de ser livres, tanto na construção quanto no gerenciamento dos pensamentos.
Quem cuida apenas da estética do corpo e descuida do enriquecimento interior vive a pior solidão, a de ter abandonado a si mesmo em sua trajetória existencial.
Cristo demonstrava ser um excelente gerente dos seus pensamentos. Seus pensamentos não ficavam hiperacelerados, mas aquietavam-se no palco de sua mente. Isso facilitava que ele os administrasse e produzisse respostas calmas e inteligentes em situações tensas. É difícil construir uma história de prazer quando nossas vidas transcorrem num deserto. É difícil nos doarmos sem esperar o retorno das pessoas, não sofrermos quando elas não correspondem às nossas expectativas. É igualmente difícil administrarmos os pensamentos nos focos de tensão.
O mestre contou uma história sobre um homem que encontrou uma pérola
preciosíssima. Esse homem vendeu tudo o que tinha para adquiri-la. O ato de vender, aqui, não é algo literal, não significa vender os bens materiais, mas desobstruir a inteligência, o espírito humano, desfazer-se das coisas inúteis, para que pudesse adquirir essa pérola dentro de si mesmo.
Cristo precisava libertar o pensamento para que as pessoas, principalmente aquelas de mente aberta e espírito sedento, pudessem compreendê-lo.
Quando Cristo queria mostrar a necessidade vital de tolerância nas relações sociais, ele não proferia inúmeras aulas sobre o assunto, mas novamente usava gestos surpreendentes. Ele dizia que se alguém batesse numa face era também para oferecer a outra, e por diversas vezes ele deu a outra face para seus opositores, ou seja, não revidava quando o agrediam ou o ofendiam. Cristo não falava da face física, da agressão física que compromete a preservação da vida. Ele falava da face psicológica. Se fizermos uma análise superficial, poderemos nos equivocar e crer que dar a outra face parece uma atitude frágil e submissa. Todavia, temos de nos perguntar: dar a outra face é um sinal de fraqueza ou de força? Se analisarmos a construção da inteligência, constataremos que dar a outra face não é um sinal de fraqueza, mas de força e segurança. Só uma pessoa forte é capaz de dar a outra face. Só uma pessoa segura dos seus próprios valores é capaz de perdoar seu agressor. Quem dá a outra face não se esconde, não se intimida, mas enfrenta o outro com tranquilidade e segurança.
Quem dá a outra face não tem medo do agressor, pois não se sente agredido por ele, e nem tem medo de sua própria emoção, pois não é escravo dela. Nada incomoda tanto uma pessoa agressiva do que ter atitudes complacentes com ela.
Dar a outra face é respeitar o outro, é procurar compreender os fundamentos da sua
agressividade.
Muitas pessoas têm medo de se reconciliar, de estender as mãos para os outros, de pedir
desculpas, de passar por tolos, por isso defendem suas atitudes e seus pontos de vistas com unhas e dentes. Esse procedimento não é aliviador, mas angustiante e desgastante. Somos ótimos para detectar as falhas dos outros, mas míopes para enxergar as nossas. Jesus combatia a violência com a antiviolência. Ele apagava a ira com a tolerância, reatava as relações com a humildade.
Cristo procurava mais do que servos, mais do que admiradores, mais do que homens prostrados aos seus pés, mas amigos que amassem a vida e se relacionassem intimamente com ele.
Quais desejos de Cristo vieram à tona logo antes de ele morrer? Pelo menos quatro extremamente sofisticados: a) A criação de um relacionamento interpessoal aberto e íntimo capaz de produzir amigos genuínos e de superar as raízes da solidão; b) A preservação da unidade entre os discípulos; c) A criação de uma esfera sublime
de amor; d) A produção de um relacionamento sem competição predatória e individualismo.
A unidade que Cristo proclamava eloquentemente não anulava a identidade, a personalidade.
As pessoas apenas sofreriam um processo de transformação interior que subsidiaria uma
unidade tão elevada que estancaria o individualismo e sobreviveria a todas as suas diferenças.
Juntas, unidas, elas desenvolveriam as funções nobres da inteligência. Cada pessoa
continuaria sendo um ser complexo, com características particulares, mas na essência
intrínseca elas seriam uma. Nesta unidade cooperariam mutuamente, serviriam umas às outras, se tornariam sábias e levariam a cabo o cumprimento do propósito do seu mestre. Na unidade proposta por Cristo os discípulos conquistam uma esfera
afetiva tão sofisticada que recebem o nome de irmãos. É muito estranho aplicar essa palavra “irmãos” a pessoas que não participam dos mesmos laços genéticos ou da mesma história familiar desde a mais tenra infância. Pois bem, o clima produzido entre os discípulos de Cristo era irrigado com um amor tão elevado e difícil de ser explicado que os tornavam membros de uma família. Uma família que está além dos limites dos laços genéticos, que é não um mero grupo social reunido, mas que possui a mesma história interior, na qual cada membro torce pelo outro e contribui para promover seu crescimento interior. Pedro, que era inicialmente tão rude em sua personalidade, chamou a Paulo de amado irmão em sua segunda epístola. Eles aprenderam pouco a pouco a superar as dificuldades e preservar a unidade. Cristo discursava sobre um amor difícil de ser investigado, que está muito além dos limites da sexualidade, dos interesses particulares. Um amor que se doa e que se preocupa mais com os outros do que consigo mesmo.
Cristo tinha uma meta tão elevada sobre o amor, que tanto seu discurso como suas atitudes ultrapassavam os limites da lógica psicológica. Certa vez, disse: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, Vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem... Se amardes os que vos amam, que recompensa tendes?” . Com essas palavras, Cristo atingiu os limites mais altos e, ao mesmo tempo, mais impensáveis do amor, da tolerância e do respeito humano.
Cristo tinha metas ousadíssimas, mas ele só propunha aquilo que vivenciava. Ele amou o ser humano incondicionalmente. Foi dócil, gentil e tolerante com seus mais ardentes opositores.
Amou quem não o amava e se doou para quem o aborrecia. O amor era a base da sua
motivação para aliviar a dor do outro. Quem possui uma emoção tão desprendida?
Cristo nunca exigiu que as pessoas se dobrassem aos seus pés, entretanto, muitos o fizeram. Os ditadores sempre usaram a força para conseguir tal reverência. Porém as que se dobravam aos pés de Cristo não o faziam por medo ou pressão, mas por amor. Elas se sentiam tão compreendidas, amadas, perdoadas e incluídas que eram atraídas por ele.
Ele demonstrou que onde a autossuficiência e a arrogância imperam, o amor não consegue ser cultivado. E, por outro lado, onde impera a humildade e uma revisão sem medo e sem preconceito da história de vida, o amor floresce como num jardim. O orgulho e o amor nunca florescem no mesmo território. Perdoar é expressar a arte de amar.
Na escola da existência de Cristo, perdoar uns aos outros é um princípio fundamental. Perdoar alivia tanto os sentimentos de culpa como as mágoas. O sentimento de culpa fere a emoção. A mágoa corrói a tranquilidade.
A proposta de Cristo do perdão é libertadora. Ao perdoar um inimigo, nos livramos dele, pois ele deixa de ser nosso inimigo.
Pedro andou muito tempo com seu mestre, presenciou gestos e ouviu palavras incomuns. Todavia, ele o negou por três vezes e diante de pessoas humildes, diante dos servos dos sacerdotes. Enquanto Pedro o negava pela terceira vez, Cristo, apesar de estar sendo espancado e injuriado, se virou para ele e o alcançou com um olhar... Um olhar acolhedor, não julgador. Cristo estava preso e sendo ferido, enquanto Pedro estava livre no pátio, vendo de longe seu mestre ser agredido. O Cristo preso e ferido teve tempo para acolher o Pedro livre no pátio.
Quem estava preso, Cristo ou Pedro? Pedro estava preso e Cristo estava livre. Pedro estava livre exteriormente, mas preso interiormente, pelo medo e pela insegurança. Cristo estava preso exteriormente, mas livre interiormente, em seus pensamentos e emoções, em seu espírito.
Pedro não pediu perdão ao seu mestre, mas o olhar acolhedor e consolador dele já o estava perdoando no momento em que ele o negava pela terceira vez. Cristo, com o seu olhar penetrante parecia dizer eloquentemente a ele: “Pedro, você pode desistir de mim, pode negar tudo o que viveu comigo, mas não tem problema, eu ainda te amo, não desisto de você...”.
Cristo tinha todos os motivos para julgar, mas não o fazia nem condenava; ele acolhia, incluía, valorizava, consolava e encorajava.
Ele via os erros não como objeto de punição, mas como uma possibilidade de transformação interior. No momento em que foi preso, continuou a ter atitudes incomuns; ainda havia disposição nele para cuidar fraternalmente do bem-estar
dos seus amigos. Quando sofremos, só temos disposição para aliviar nossa dor, mas quando ele sofria ainda havia disposição nele para cuidar dos outros.
Perdemos com facilidade a paciência com as pessoas, mesmo com aquelas que mais amamos. Dificilmente agimos com gentileza e tranquilidade quando alguém nos aborrece e nos irrita, ainda que esse seja nosso filho, aluno, amigo ou colega de trabalho. Desistimos fácil daqueles que nos frustram, decepcionam.
Cristo falava de um amor estonteante. Um amor que irriga o sentido de vida e o prazer da existência. Um amor que se doa, que vence o medo, que supera as perdas, que transcende as dores, que perdoa.
A uns ele dizia “não chores”, a outros “não temas” e ainda a outros “tendes bom ânimo”.
Estava sempre animando, consolando, compreendendo e envolvendo as pessoas e
encorajando-as a superar seus temores, desesperos, fragilidades, ansiedades. Cristo
demonstrou uma disposição impensável de amar, mesmo no ápice da dor.
Cristo lavou os pés de seus discípulos.
Os pés são condutores da trajetória existencial. Cristo queria expressar que nessa sinuosa e turbulenta trajetória de vida o ser humano deveria lavar os pés uns dos outros, ou seja, deveria cooperar, ser tolerante, perdoar, suportar, cuidar, proteger e servir uns aos outros. São lições profundas e dificílimas de serem aprendidas.
A história de Cristo é admirável.
Você e eu nos afastamos das pessoas que frustram nossas expectativas, que nos causam
sofrimentos, porém, o comportamento de Cristo era diferente. As pessoas podiam negá-lo, como Pedro, traí-lo por trinta moedas de prata, como Judas, rejeitá-lo, feri-lo, desistir dele e só se preocupar com suas necessidades materiais e com sua imagem social, porém ele nunca desistia, desprezava ou excluía ninguém...
O mundo pára para comemorar o seu nascimento no final de dezembro, mas a maioria das pessoas não tem consciência de como ele foi uma pessoa magnífica e surpreendente... Mesmo que Cristo não tivesse feito nenhum milagre, os seus gestos e seus pensamentos foram tão eloquentes e surpreendentes que, ainda assim, ele teria
dividido a história...

Deus abençoe sua vida!

Nenhum comentário:

Postar um comentário