segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O verdadeiro arrependimento!

Você sabe qual é o significado de arrependimento?
Segundo uma das definições descritas pelo dicionário Priberam, arrependimento significa: “Mudar de intenção ou de ideia.”
Você já deve ter agido por impulso, ou consciente e posteriormente sentiu-se arrependido.
Esse sentimento é importante, pois  determina  o primeiro passo na direção correta, mas ele precisa estar acompanhado pelo desejo de não praticar mais tal ato.
De que adiantará arrepender-se e voltar a agir da mesma maneira?
O erro repetido fere e enfraquece a credibilidade.
Você sabia que foi o meu e o seu pecado que pregaram Jesus Cristo naquela cruz?
Tendo ciência disso, o que tem feito a respeito?
O pecado destrói, fere, cega, rouba e aprisiona... por isso o arrependimento precisa transpor palavras e produzir transformação.
Ele deve gerar o desejo incontrolável de mudança de hábito, de vida, enfim de frutos.
“Se pois o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36)
O pecado não deve fazer parte da rotina diária do cristão e sim ser um acidente de percurso.
Você foi alistado para uma batalha. Essa batalha é constante e precisa ser vencida diariamente. Todos os dias estarão diante de seus olhos duas opções:  fazer o que Deus ordenou e negar a si mesmo ou fazer as vontades da carne, a qual constantemente é inflamada pelo pecado.
Mas, lembre-se sempre que o verdadeiro arrependimento sempre estará acompanhado pelo desejo de mudança.
George Whitefield descreve um pouco a respeito em seu sermão “Arrependimento”.
Segue abaixo alguns trechos para meditação!

Não há nada na sepultura para onde vamos. Mas não tenham medo, pois é frequente Deus receber o maior peca­dor através dos méritos de Cristo Jesus. Isto aumenta as ri­quezas da sua graça generosa e deveria ser um incentivo a vocês, que são grandes e notórios pecadores, para que se arrependam, pois Ele terá misericórdia de vocês, se vocês se voltarem a Ele por Cristo.
O apóstolo Paulo foi eminente exemplo disso. Ele fala de si mesmo como o principal dos pecadores, e declara como Deus lhe mostrou misericórdia.
Mas como nenhuma palavra é tão sujeita a enganos quanto o arrependimento, em primeiro lugar desejo falar a respeito de sua natureza onde a disposição carnal e corrupta dos homens é mudada numa disposição renovada e santificada. O homem que de fato se arrependeu é verdadeiramente regenerado, há uma nova criatura forjada em seu coração. Se o arrependi­mento é verdadeiro, vocês são inteiramente renovados, na alma e no corpo, o entendimento é iluminado com o conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo, e a vontade, que era teimosa, obstinada e odiava todo o bem, é obediente e submissa à vontade de Deus. Quando vocês se voltam ao Senhor pelo arrependimento descrito no evangelho, então a vontade é mudada, a consciência agora endurecida e entorpecida é avivada e despertada, o coração duro é derretido e seus afetos incontroláveis são crucificados. Assim, por esse arrependimento, a alma é completamente mudada, vocês terão novas inclinações, novos desejos e novos hábitos.
Vocês verão o quanto somos vis por natureza — o que exige tão grande mudança a ser feita em nós, para que nos recuperemos desse estado de pecado —, e, por conseguinte, a consideração de que nosso estado terrível deveria nos fazer zelosos com Deus para mudarmos nossa condição, e que a mudança implica no verdadeiro arrependi­mento.
Vocês terão fé, ainda que agora a considerem loucura e fanatis­mo, vocês não terão vergonha da causa de Cristo.
A natureza desse arrependimento é fazer uma mudança, e a maior mudança que pode ser feita é na alma. Assim, portanto o arrependimento em sua natureza denota uma aversão a todo o mal e um abandono dele.
Agora prosseguirei, mostrando-lhes as partes do arrependimento e as causas que concorrem a ele.
As partes são: a tristeza e um abandono completo do pecado.
Nossa tristeza e pesar pelo pecado não surgem meramente de um medo da ira, pois se procedem do amor-próprio e não de um amor a Deus e se o amor a Deus não é o motivo principal do arrependimento, o seu arrependimento foi em vão e não deve ser reputado verdadeiro.
Não é a aproximação a Deus com lábios, enquanto o coração está longe dEle, que Ele considera. O arre­pendimento não vem aos empurrões, mas é um ato contínuo em nossa vida, pois assim como diariamente pecamos, também precisamos de um arrependimento diário diante de Deus para obter perdão pelos pecados que cometemos.
Não é apenas confessar-se pecador, mas entender que sua condição é triste e deplorável, portanto seu coração deve estar completamente afetado com isso para que se sintam criaturas perdidas, pois Cristo veio para salvar os que estão perdidos. Se vocês gemem sob o peso e fardo dos pecados, então Cristo os aliviará e lhes dará descanso.
Vão a Deus em ora­ção e sejam sinceros com Ele, que pelo seu Espírito Ele os convence­rá de sua condição miserável por natureza e os fará verdadeiramente sensatos. Humilhem-se, humilhem-se, rogo-lhes, por seus pecados! Tendo passado tantos anos pecando, o que vocês podem fazer me­nos do que preocupar-se em passar algumas horas lamentando e entristecendo-se pelo mesmo e serem humilhados diante de Deus?
Olhem para trás em sua vida, chamem à memória os pecados cometidos, tantos quantos possam; os pecados da mocidade como também os dos anos mais recentes. Vejam como vocês se afastaram do Pai gracioso e perambularam pelo caminho da maldade, no qual se perderam, como também ao favor de Deus, o consolo do seu Espírito e a paz de consciência. Então vão e implorem o perdão do Senhor, pelo sangue do Cordeiro, pelo mal que cometeram e pelo bem do qual se omitiram. Considerem igualmente a hediondez dos seus pecados; vejam com que circunstâncias tão agravantes os seus pecados são tratados, o quanto vocês abusaram da paciência de Deus, que deveria tê-los levado ao arrependimento; e quando descobrirem que seu coração está endurecido, implorem a Deus que o amoleça. Chorem vigorosamente diante dEle e Ele tirará o coração de pedra e lhes dará um coração de carne.
Tomem hoje a decisão de deixar todas as suas concupiscências e prazeres pecaminosos, renunciem, abandonem e abominem seu anti­go curso de vida pecadora, e sirvam a Deus em santidade e justiça pelo resto de suas vidas. 
Você tem de despir-se do velho homem, com suas ações, antes de vestir o novo homem em Cristo Jesus.
Se você chora e lamenta os pecados passados e não os abandona, seu arrependimento é em vão, você está escarnecendo de Deus e enganando a própria alma.
Vocês que eram xingadores e blasfemos, prostitu­tas e bêbedos, assaltantes e ladrões, vocês que até hoje seguem os prazeres pecaminosos e as diversões da vida, rogo-lhes, pelas misericórdias de Deus em Cristo Jesus, que não mais continuem assim, mas abandonem os caminhos maus e se voltem ao Senhor. Pois Ele espera para ser gracioso para com vocês, Ele está disposto a perdoá-los de todos os pecados.
Mas vocês precisam decidir-se contra o pecado, pois não há verdadeiro arrependimento sem a resolução de abandoná-lo. Decidam por Cristo.
Estejam determinados, pela graça, neste propósito, e já terão dado o pri­meiro passo em direção ao arrependimento, contudo, tomem cuidado para que suas resoluções não se baseiem em suas próprias forças, mas na força do Senhor Jesus Cristo. Ele é o caminho, a verdade e a vida, sem a SUA ajuda vocês nada podem fazer, mas SUA graça lhes fortalece e vocês serão capazes de fazer todas as coisas.
Quan­to mais tiverem consciência de sua própria fraqueza e incapaci­dade, mais pronto Cristo estará para os ajudar.
Mesmo aqueles que tenham sido tão maus e devassos, se abando­narem agora seus pecados e se voltarem ao Senhor Jesus Cristo, Ele os receberá e todos os seus pecados serão largamente perdoados. Por que vocês negligenciariam a grande obra de seu arrependimento? Não adiem essa ação um dia mais, porém hoje, agora mesmo, aceitem a Cristo, que lhes é oferecido livremente.
É Ele quem nos encoraja a buscar e a fazer a sua boa vontade.
Às vezes, os instrumentos são muito improváveis, um pobre e menosprezado ministro ou membro de Jesus Cristo pode, pelo poder de Deus, ser o instrumento nas suas mãos para levar você ao verda­deiro arrependimento evangélico. Talvez isso seja feito para mostrar que o poder não está nos homens, mas que é inteiramente devido à boa vontade de Deus.
Mostrarei as razões por que o arrependimento é necessário à salvação.
É necessário  que nos arrependamos, pois um Deus santo não admite e jamais admitirá na sua presença algo que seja profano. Este é o começo da graça na alma, tem que haver uma mudança no coração e na vida. Vocês não podem amar o pecado e Deus ao mesmo tempo.
Enquanto não estão arrependidos dos seus pecados, vocês estão em perigo de morte e se morrerem, perecerão para sempre.
E como sabemos que vamos viver mais? Não estamos seguros de ver nossas casas em segurança esta noite.
Quanto valem todos os seus prazeres e diversões? Eles duram apenas por um momento, não valem nada e são de curta permanên­cia.
Sua alma vale sua preo­cupação, pois se vocês podem desfrutar todos os prazeres e diversões da vida, na morte vocês têm de abandonar tudo pois ela porá um fim a todos os interesses mundanos.
Corroerá a sua própria alma o pensamento de que por tão insignificante interesse vocês perderam o bem-estar eterno.
Rogo-lhes que lancem fora suas transgressões, esforcem-se contra o pecado, vigiem contra ele e implorem o poder e a força de Cristo para sujeitar o poder das concupiscências que os incitam aos caminhos pecaminosos.
Não digam que seus pecados são muitos e muito grandes para esperar encontrar misericórdia. Sejam eles tantos ou tão grandes, o sangue do Senhor Jesus Cristo os limpará de todos. A graça de Deus, meus irmãos, é generosa, rica e soberana. Zaqueu tinha estado longe de Deus e saiu para ver Cristo, sem outro intento que satisfazer a curiosidade e, não obstante, Jesus o encontrou e levou salvação à sua casa.  Vocês foram blasfemadores e perseguidores dos santos e servos de Deus? Assim foi o apóstolo Paulo, contudo ele recebeu misericór­dia.
Lembrem-se do pobre publicano, de como ele achou favor em Deus, ao passo que o fariseu orgulhoso e presunçoso, inchado com sua própria justiça, foi rejeitado. E se vocês forem a Jesus como o pobre publicano fez, com um sentimento da indignidade própria, acharão favor como ele achou, há bastante virtude no sangue de Jesus para perdoar os maiores pecadores. Então não fiquem desa­nimados, mas busquem a Jesus, e vocês o acharão pronto a ajudar em toda a sua aflição, conduzi-los em toda a verdade, trazê-los da escuridão para a luz e do poder de Satanás a Deus.
O novo nascimento é o próprio começo de uma vida de paz e consolo e o maior deleite será encontrado nos caminhos da santidade.
Então com certeza vocês não deixarão que o Diabo os engane, é tudo o que ele quer e o que almeja: fazer a religião parecer melancólica, miserável e fanática. Deixem-no dizer o que quiser, não lhe deem ouvidos, não o considerem, porque ele sempre foi e sempre será mentiroso.
O amor que Deus me fez sentir é uma boia suficiente contra todas as tempestades e tormentas deste mundo turbulento, podem os ho­mens e demônios fazer o seu pior, eu me regozijo no Senhor Jesus, e sempre me regozijarei.
Deixem o Senhor Jesus entrar em suas vidas, e vocês encontrarão a paz que o mundo não pode dar e nem tirar.
Agora, meus irmãos, gostaria de dar uma palavra de exortação aos que entre vocês já foram levados ao Senhor Jesus, que já nasce­ram de novo, que já pertencem a Deus, a quem foi dado se arrepen­der de seus pecados e estão limpos da culpa: Sejam gratos a Deus por suas misericórdias. Admirem a graça de Deus e bendigam o seu nome para sempre!
Sejam gratos por esta misericórdia indizível, nunca se esqueçam de falar da misericórdia de Deus. E assim como outrora sua vida fora dedicada ao pecado e prazeres do mundo, que agora seja gasta completamente nos cami­nhos de Deus.  Abracem cada oportunidade de fazer e receber o bem. Qualquer oportunidade que tiverem, façam vigorosa e pronta­mente, não adiem. Ao ver alguém apressando-se para a destruição, usem o máximo dos seus esforços para detê-lo em seu curso. Mos­trem-lhe a necessidade de arrependimento, e que sem isso ele estará perdido para sempre. Não façam conta se ele os menosprezar, conti­nuem mostrando-lhe o perigo em que ele está. Se seus amigos zom­bam de vocês e os menosprezam, não deixem que o desanimem. Persistam, mantenham-se firmes até o fim, e assim vocês terão a co­roa que é imutável e não desvanece.
Deixem que o amor de Jesus por vocês os conservem humildes, não sejam orgulhosos, mantenham-se junto do Senhor, observem as regras que o Senhor Jesus Cristo deu em sua Palavra e não permitam que suas instruções se percam, as quais vocês são capazes de dar. Considerem que razão vocês têm para serem gratos ao Senhor Jesus Cristo por lhes dar o arrependimento do qual vocês necessitavam, um arrependimento que opera pelo amor.
A alegria que vocês sentem na alma — alegria que todos os homens deste mundo e todos os demônios do inferno, ainda que se unam, não podem destruir.
Então não temam a ira ou malícia deles, pois por muitas tribulações temos de entrar na glória.
Que o amor de Jesus esteja continuamente em seus pensamentos. Foi sua morte que lhes trouxe vida, sua crucificação que expiou seus pecados, sua morte, sepultamento e ressurreição completaram a obra e agora Ele está no céu a interceder por vocês à mão direita do Pai.
Ó, a altura, a profundida­de, o comprimento e a largura deste amor, que trouxe o Rei da glória do seu trono para morrer por nós, quando tínhamos agido tão cruel­mente contra Ele e merecíamos nada mais que a condenação eterna. Ele desceu e tomou em si nossa natureza, se fez carne e habitou entre nós, Ele morreu por nós e pagou nosso resgate. Com certeza isto deveria nos fazer amar o Senhor Jesus Cristo e regozijar-se NEIe, e não como muitos fazem e nós mesmos temos muitas vezes feito, crucificar este Jesus de novo. Vamos fazer tudo o que pudermos, meus queridos irmãos, para honrá-lo.
Rogo-lhes que orem fervorosamente pela graça do arrependimento.

Deus abençoe sua vida!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A fé transforma

Existe uma questão que por vezes é levantada e tem sido argumento dos que não creem para atacar a fé.  A pessoa que crê em Jesus é imediatamente salva?  SIM, isso aconteceu com o ladrão crucificado ao lado de Jesus (Lucas 23:43). Porém gostaria de ressaltar algo, a fé é concedida por Deus e se veio DELE, obrigatoriamente deve ser verdadeira, sendo então verdadeira, produzirá  transformação. O ladrão acima citado mudou sua atitude quando reconheceu que ele era pecador, e JESUS inocente.
Quando alguém aceita a Salvação por meio do sacrifício de Cristo, e por meio da fé toma posse da graça de Deus, esse alguém não permanece da maneira como está.
Nasce no seu coração um desejo de mudança, pois seus olhos são abertos para que veja quanto mal o pecado tem causado a si mesmo e como ele entristece a Deus.
Quando você entende que foram seus pecados que pregaram JESUS na cruz e o expuseram de uma maneira tão dolorosa, vergonha e arrependimento tomam conta da alma.
Isso não vem de você mesmo, mas o Espírito Santo de Deus é quem convence do pecado, da justiça e do juízo. (João 16:8)
Ele age em sua consciência e faz você enxergar o que antes estava encoberto pelo pecado.
Algumas pessoas tem dificuldade em entender a salvação por meio da fé. Para elas, isso fere a moral, pois como poderia um homem que viveu sua vida de modo pecaminoso, ser salvo por meio da fé?
Gostaria de lembrar que a verdadeira fé traz consigo transformação. Você não será o mesmo quando a verdadeira  entrar em seu coração.
Estive lendo um sermão de Charles Haddon Spurgeon e separei alguns trechos que irão ajuda-lo a entender que a fé transforma.

Uma Defesa da Doutrina da Justificação pela Fé
Sermão Pregado por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington

Fomos informados que a doutrina da “salvação imediata”, mediante a fé em Jesus Cristo, é muito perigosa. Dizem que certamente isso levará à degradação da moralidade pública, pois os homens não buscarão nem investirão nas virtudes práticas quando “somente a fé” é levantada a uma tão elevada posição. Dizem que se for assim, isso seria um erro grave e ai de quem levar os homens a esse erro!

Mas gostaria de informar que estamos todos prontos para definir o nosso “selo”, que é declarar da maneira mais clara possível que os homens são salvos pela fé em Jesus Cristo e salvos no momento em que crêem! Nós todos confessamos e ensinamos que esse é um tipo de conversão – e que quando os homens são convertidos tornam-se em “outros homens”, diferentes do que eram antes – e começa uma nova vida que culminará na glória eterna.
Algumas pessoas dizem: “Você diz à essas pessoas que elas serão salvas após elas acreditarem em Cristo.” Exatamente isso. “Mas, por favor, me diga o que você quer dizer por ser salvo, senhor?” Eu direi, com grande prazer. Não queremos dizer que essas pessoas vão para o céu quando morrerem, independentemente do seu caráter.  É necessário que haja transformação, portanto eles serão salvos de viver como viviam – de serem o que são agora – salvos da libertinagem, da desonestidade, da embriaguez, do egoísmo e qualquer outro pecado que eles possam ter vivido. A coisa pode ser facilmente posta à prova! Se puder ser mostrado que aqueles que creram no Senhor Jesus foram salvos de viver em pecado, nenhum homem racional deveria levantar qualquer objeção à pregação de tal Salvação!

Salvação do pecado é uma coisa que todo moralista deveria recomendar e não censurar – e essa é a salvação que nós pregamos. Receio que alguns imaginam que eles só têm que acreditar em uma coisa ou outra, e irão para o céu quando morrer. E que precisam apenas sentir uma certa emoção singular e está tudo certo com eles. Agora, se algum de vocês tem caído nesse erro, que Deus, em Sua misericórdia, tire-o daí, pois não é todo tipo de fé que salva, mas somente a fé dos eleitos de Deus. Não é qualquer tipo de emoção que muda o coração, mas a obra do Espírito Santo.
Se você verdadeiramente acreditou em Jesus Cristo, vai se tornar, a partir daquele momento, um homem diferente do que era. Haverá uma mudança em seu coração e alma, na sua conduta e na sua conversa. E, vendo que você mudou dessa maneira, aqueles que foram honestos opositores deixarão rapidamente as suas acusações, pois eles estarão na condição de quem viu o homem que foi curado com Pedro e João e, portanto, não podia dizer nada contra eles.
O mundo exige fatos e é isso que estamos fornecendo! É inútil gritar nosso remédio com palavras – devemos apontar para a cura. Sua mudança de vida será o argumento mais grandioso do Evangelho, se essa vida é para mostrar o significado do meu texto – “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.”

Observe, em primeiro lugar, que O RECEBER JESUS CRISTO PELA FÉ É, EM SÍ, É UMA CONFISSÃO DE QUE TEMOS CRUCIFICADO A CARNE COM SUAS PAIXÕES E CONCUPISCÊNCIAS. Se a fé é como uma confissão, porque dizer que não está relacionado com uma vida santa? Deixe-me mostrar que esse é o caso. Fé é a aceitação de Jesus Cristo. Em que aspecto? Bem, principalmente como um Substituto. Ele é o Filho de Deus e eu sou um culpado pecador. Eu mereço morrer – o Filho de Deus fica no meu lugar e sofre por mim. E quando eu creio NELE eu O aceito permanentemente.

Crer em Jesus era de uma forma muito bonita estabelecida na velha cerimônia da Lei, quando a pessoa trazia um sacrifício, colocava as mãos sobre a cabeça do novilho ou cordeiro e assim aceitava que a vítima ficasse em seu lugar, de modo que o sofrimento da vítima deveria ser seus sofrimentos. Agora, nossa fé aceita a Jesus Cristo como permanente em nosso lugar. O núcleo e coluna da confiança da fé reside no seguinte:
“Ele carregou, o que eu nunca poderia suportar.

Cristo para mim, Cristo em meu lugar. Agora, tente captar o seguinte pensamento. Quando você crê, você aceita Cristo estando em seu lugar e professa que o que Ele fez, Ele fez por você – E o que Cristo fez em cima daquele madeiro? Ele foi crucificado e morto. Acompanhe o pensamento e perceba bem que pela fé você se considera como morto com Ele – crucificado com Ele.

Você está agora nEle – crucificado com Ele, morto com Ele, sepultado com Ele, ressuscitado com Ele e glorificado com Ele – porque Ele representa você e sua fé aceitou a representação.
A conversão começa com o concordar em ser considerado morto com Cristo para o pecado – não temos nós, aqui, a pedra fundamental da santidade?
Observe, também, que se seguir os mandamentos de Cristo, o primeiro passo que um cristão tem a dar depois que aceitou a posição tomada pelo Senhor Jesus, é outra confissão mais pública do que o primeira, ou seja, o seu batismo. Pela fé, ele aceitou a Cristo como morto em seu lugar, e refere a si mesmo como estando morto com Cristo. Agora, cada homem morto deve ser enterrado, mais cedo ou mais tarde. E assim, quando vamos para a frente e confessamos a Cristo, somos “sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:4)

E a essência do batismo é ser enterrado com Cristo, porque eu estou morto com Ele.
Aquele que realmente acredita e sabe o que é ser sepultado com Cristo, começou – na verdade, ele já tem, em certo sentido, efetuado completamente – o que o texto descreve como a crucificação da carne com as suas paixões e concupiscências. Porque, caros amigos, nunca devemos nos esquecer  que o grande objetivo pelo o qual nos lançamos a Cristo é a morte do pecado!
Ele vem para dar o perdão, mas nunca o dará, sem dar arrependimento junto!

Ele vem para justificar, mas não justifica sem também santificar. Ele veio para nos libertar, não somente de ti, oh morte! Nem somente de ti, oh inferno! Mas de você, oh Pecado, a mãe da Morte, o progenitor do inferno!
Quando eu acreditei que Jesus era o Cristo [O Salvador] e descansei minha alma nEle,  senti em meu coração, a partir desse momento, um intenso ódio ao pecado.
Eu o tinha amado antes, alguns pecados particularmente, mas esses tornaram-se, a partir daquele momento, os mais detestáveis para mim e, embora a propensão para eles ainda esteja lá, o amor para eles não existia mais.
E quando eu, em qualquer momento pecava, sentia uma dor interior e horror em mim mesmo por fazer as coisas que antes eu concordava e gostava. Meu prazer para com o pecado tinha desaparecido.
Antes de aceitar a Cristo, não percebia o pecado pois ele estava escondido em meio à escuridão da minha alma. Eu era ignorante e não sabia o que era pecado, pois era noite como em qualquer alma, mas, sendo encorajado a destruir o mal, meu espírito arrependido pegou emprestado lanternas e tochas, e saiu como se estivesse perseguindo um ladrão.
E eu busquei a Deus para me ajudar, dizendo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos” [Salmos 139.23]. Não cessei até encontrar  as minhas transgressões secretas. Essa busca interior é uma das minhas ocupações mais constantes. Desperte para um exame rigoroso da sua natureza e não mais tolere que seu coração seja esconderijo para o mal!

Olhei para o meu pecado diante de Deus e abominava-me no pó e nas cinzas (Jó 42.6). Meu pecado era vermelho como o carmesim diante dEle e diante de mim também. Julguei-o e o condenei  como a um criminoso para morrer.
E nada podia abalar meu coração desse propósito, que eu deveria matar todos os assassinos de Cristo.
Oh pecado, quão vergonhoso uma coisa pode ser por sua causa! Eu vi que tudo é baseado, intermediado, e desprezívelmente concentrado em você! Meu coração machucou o pecado através do arrependimento, feriu-o com censuras e o golpeou negando a mim mesmo.
“Oh, como eu odeio os meus desejos que crucificaram o meu Deus!
Aqueles pecados que perfuraram e pregaram sua carne rapidamente, no madeiro mortal! Sim, meu Redentor, eles devem morrer!
Meu coração assim decretou: Não vou poupar os culpados pelos quais meu Salvador sangrou”.

Ele expôs meu pecado diante de meus olhos, até mesmo o secreto ficou diante da luz da Sua Face! Eu fiquei bem perto de entrar em desespero! Mas o meu espírito se ergueu, porque eu sabia que estava perdoado, e disse: “Jesus Cristo me perdoou, porque eu acreditei nEle. E eu vou levar minha carne à morte crucificando-a na Sua Cruz“.
Portanto cada homem que crê em Jesus imediatamente se esforça para  livrar-se do pecado. E você pode se certificar que acreditou em Jesus Cristo ou não, vendo se há uma mudança em suas motivações, sentimentos, vida e conduta.
O fenômeno da conversão é único, mas o efeito da conversão é mais singular ainda! E não é uma coisa escondida – pode ser visto a cada dia. Se for simplesmente uma emoção na qual o homem sentiu uma aflição de espírito e, em seguida, pensou que estava em paz e ficou feliz porque se auto satisfez, eu não verei qualquer bem particular nele. Mas se é verdade que a regeneração altera os gostos e afetos dos homens, no final, as alterará radicalmente, transformando-as completamente em novas criaturas!
Podemos então ir um passo adiante e dizer que A RECEPÇÃO DE JESUS CRISTO NO CORAÇÃO PELA FÉ SIMPLES É CALCULADA PELA CRUCIFICAÇÃO DA CARNE. Quando um homem crê em Jesus, a primeira força que o ajuda a crucificar a carne é que ele tem visto a maldade do pecado, na medida em que viu Jesus, seu Senhor, morrer por causa disso.
O pecado cobriu o mundo com opressão e por isso tem esmagado o animo de muitos, e quebrado o coração de milhares! O pecado gerou a escravidão, a tirania, revolta, calúnia e perseguição! O pecado tem sido o fundamento de todos os sofrimentos humanos.
“Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades, o  castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.
(Isaías 53.5)
Contudo, Ele nos amou, ainda nos amou! As muitas águas não poderiam apagar Seu amor, nem as inundações poderiam afogá-lo. Quando eles O pregaram no madeiro, Ele ainda nos amou. Quando cada osso foi deslocado, Ele chorou em monólogo triste, “Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; (Salmo 22.14)” Ele nos amou ainda! Quando os cães O cercaram e os touros de Basã O rodeavam (Salmo 22.12), ainda nos amou.

Até quando bebeu a última gota da bebida indizivelmente amarga, Ele nos amou! E quando a luz brilhou em Seu rosto e Ele pôde dizer: “Está consumado”, aquela luz brilhou sobre a face daquele que ainda assim nos amou! Agora, cada homem a quem foi concedido o crer em Jesus e conhecer o Seu amor, diz: “Como posso ofendê-LO? Como posso entristecê-LO? Há ações nesta vida que eu poderia fazer de outra maneira, mas agora não me atrevo, pois tenho medo de maltratar meu Senhor”.
Eu não posso me rebelar contra tamanha bondade. Seu amor ensanguentado me acorrenta. Como posso fazer tão grande maldade como colocar o meu sofrido Senhor na vergonha?”
Jesus olha para você e Ele pode, com um olhar, expulsar o egoísmo, a covardia, e tudo o que nos impede de nos oferecermos como um sacrifício a Ele!
Quando estamos mais uma vez cheios de amor a Ti, Oh Jesus, o pecado torna-se o dragão contra o qual temos uma guerra ao longo da vida! A santidade se torna a nossa mais nobre aspiração e a buscamos com todo nosso coração, alma e força!  
O ESPÍRITO SANTO ESTÁ COM O EVANGELHO E ONDE ELE ESTÁ, A SANTIDADE SERÁ PROMOVIDA.
Nunca há um sermão sobre o Evangelho pregado por um coração sincero sem que o Espírito Santo esteja lá, tomando as coisas de Cristo e as revelando aos homens.
Agora, se você for para o terceiro capítulo do Evangelho de João e também em suas epístolas, comprovará que a fé está sempre ligada com a regeneração, e o  novo nascimento, novo nascimento que é obra do Espírito de Deus. Esse mesmo capítulo de João nos diz: “Necessário é nascer de novo“, e continua a dizer: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.14,15). Onde quer que haja fé em Jesus Cristo, um milagre de purificação foi feito no coração! O poder do Espírito Santo, mudou o curso de seus desejos e os fez amar as coisas que são santas, justas e verdadeiras.
Olhe para Jesus e as paixões que você não pode vencer serão entregues ao Seu poder de limpeza! Creia em Jesus e as loucuras que se agarram a você, e o esmagam , lhe deixarão livre!
Deus abençoe sua vida!

FONTE
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com permissão
Sermão nº 1239—Volume 21 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,
Original em inglês: MESSRS. MOODY AND SANKEY DEFENDED—OR, A VINDICATION OF THE DOCTRINE OF JUSTIFICATION BY FAITH
Tradução: Francisco Rodrigues da Silva Neto
Revisão e diagramação: Armando Marcos


terça-feira, 14 de julho de 2015

Deixe na cruz

Quando você se olha no espelho o que vê? E o que vê lhe agrada?
O que fez com o que fizeram com você? Existem experiências bastante dolorosas, as quais deixam marcas difíceis de esquecer.
Algumas feridas continuam a sangrar, mesmo depois de longo tempo.
Nem sempre o que se torna, o deixa orgulhoso ou lhe faz sentir paz.
Em algumas situações você fere, em outras é ferido, até sem intenção.
A vida nem sempre é justa e nem sempre que você amar, será amado, compreendido, respeitado ou valorizado. É difícil conviver com a rejeição não é mesmo?
Mas só porque alguém não percebeu seu valor, não significa que você não o tenha.
DEUS sabe muito bem quanto valor você tem e o ama com amor inimaginável. Se pudesse sentir um pouco desse amor, jamais se sentiria menosprezado novamente. 
O que você faz com o que fizeram com você?
O amor de CRISTO preenche todos os espaços que alguém deixou vazio.
O coração pode ter sido esmagado, mas o bálsamo de Deus irá curá-lo.
Entenda que aquilo que não lhe acrescenta ou edifica, não vale a pena carregar. Deixe-o na cruz.
Você não pode desperdiçar sua vida com aquilo que não tem mais volta. Deixe-o na cruz. Deus irá preparar um novo começo para você.
Antes disso, porém, ELE cuidará de suas feridas, tirará toda a dor, substituindo-a por amor.
Um amor capaz de produzir frutos, que transbordará sua alma e alcançará outras pessoas a sua volta.
Através da cruz, Jesus se expôs em seu lugar, e derramou amor...ELE demonstrou o quão importante você é e lhe deu uma nova chance.
Chance de deixar na cruz tudo o que passou e recomeçar.
Fazer diferente e do jeito certo agora, sendo instruído por ELE dessa vez. Ouça o amor chamando você, deixe na cruz, tudo que passou! Olhe para JESUS e corra ao seu encontro.
“Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí.” (Jeremias 31:3)
Permita-se ser amado por DEUS, o SEU amor é capaz de curar feridas. 
Permita-se um recomeço!

Deus abençoe sua vida!



segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um grande Salvador!

 “Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:42, 43).

O verso acima transcreve a súplica de um ladrão prestes a morrer, para alguém que segundo sua fé, era um Rei retornando ao seu Reino.  O título é sugestivo e você pode a princípio, imaginar que no texto abaixo, não contenha algo que lhe seja adequado, mas o convido a fazer um autoexame. O que tenho eu e você em comum com esse ladrão? Muito mais do que se possa imaginar. Você tem alguma ideia de quanto pecado existiu ou existe em você?
Já se olhou por dentro para observar quantas coisas guardadas não deveriam estar aí?
Se não consegue fazer isso, tenho uma notícia nada animadora: Deus sabe, pois vê além da sua aparência em todos os momentos.
Independente de sua atitude, seja ela correta ou não, Deus enxerga tudo, e se preocupa com o seu espírito.
O coração do homem por vezes assemelha-se a um baú gigantesco, onde são armazenados trechos de vida, como se fossem filmes, os quais acionados pela memória incitam sentimentos, que nem sempre são bons.
Você acha que precisa de CRISTO? O que ELE precisaria fazer para que cresse e o recebesse como seu Salvador? Aquele ladrão crucificado ao seu lado, contemplou-o em um momento onde seria improvável crer que ali estava o próprio DEUS. 
Mas ainda assim de seu coração saltou a fé.
Convido você a discorrer sobre o texto abaixo e deixar o Santo Espírito de DEUS falar ao seu coração.

O ladrão que creu
Sermão pregado na manhã de Domingo, 7 de Abril de 1889. Por Charles Haddon Spurgeon. No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

A história da salvação do ladrão agonizante é um exemplo notável do poder de salvação de Cristo, e de sua abundante disposição para receber a todos que vêm a Ele, em qualquer condição em que possam estar.
Em certo sentido, toda conversão é única: não há duas iguais, e contudo, qualquer conversão é um modelo de outras. O caso do ladrão moribundo é muito mais semelhante à nossa conversão, do que diferente. De fato, seu caso se pode considerar mais como típico do que como um fato extraordinário, e assim o considerarei neste momento.
Recordem, amados amigos, que nosso Senhor Jesus, no momento que salvou a esse malfeitor, estava em seu ponto mais baixo.
Despido de sua túnica, e cravado na cruz, a atrevida multidão zombava de nosso Senhor que, agonizante, estava morrendo; então Ele “foi contado entre os transgressores” (Lucas 22:37)
Contudo, ainda nessa condição, concluiu esse maravilhoso ato de graça.
Quanto a você e a mim? A bíblia afirma que:
“Pode salvar por completo aos que por meio dele se achegam a Deus, posto que vive para sempre para interceder por eles”. (Hebreus 7:25)
Se um Salvador agonizante salvou o ladrão, meu argumento é que Ele pode fazer ainda mais agora que vive e reina.
Não é somente a debilidade de nosso Salvador que faz memorável a salvação do ladrão penitente, é o fato de que o malfeitor moribundo o viu diante de seus próprios olhos. Você pode se pôr em seu lugar, e imaginar a alguém que está suspenso em agonia de uma cruz? Poderia facilmente crer que era o Senhor da glória, e que logo iria a seu reino?
Não seria pouca a fé para que, em um momento assim, cresse em Jesus como Senhor e Rei.
A fé desse ladrão é admirável pois creu em um Cristo crucificado, ridicularizado e agonizante, e clamou a Ele como a alguém cujo reino viria com certeza. A fé do ladrão foi ainda mais notável porque estava sob uma terrível dor, e condenado a morrer. Não é fácil exercitar a paciência quando se é torturado por uma angústia mortal. Nosso próprio descanso mental às vezes se vê perturbado pela dor do corpo quando somos sujeitados por um sofrimento agudo, não é fácil mostrar essa fé que cremos possuir em outras situações. Este homem, sofrendo como estava, e vendo ao Salvador em um estado tão triste, contudo, ainda assim creu para a vida eterna. Fala aqui uma fé que raramente se vê.
Recordem, também, que estava rodeado de zombadores. É fácil nadar com a corrente, mas é duro ir contra ela. Este homem ouviu os sacerdotes orgulhosos, quando ridicularizavam ao Senhor, e a grande multidão do povo, todos a uma só voz, unirem-se no escárnio; seu companheiro captou o espírito da hora e também zombou, e ele talvez tenha feito o mesmo por um breve momento; mas pela graça de Deus foi transformado, e creu no Senhor Jesus apesar de todo desprezo. Sua fé não foi afetada pelo que o cercava;  ele, pelo contrário, ladrão agonizante como era, se reafirmou em sua confiança. Como uma rocha saliente, colocada no meio da torrente de águas, declarou a inocência do Cristo, diante dos que blasfemavam. Sua fé é digna de que a imitemos em seus frutos. Nenhum outro membro de seu corpo estava livre exceto sua língua, e a utilizou sabiamente para repreender a seu irmão malfeitor, e defender ao Seu Senhor. Sua fé tornou manifesto um valente testemunho e uma confissão ousada. Não vou elogiar o ladrão, ou a sua fé, mas exaltar a glória dessa graça divina que deu ao ladrão uma fé assim, e logo imerecidamente o salvou por seu meio.
Vejam o poder desse Espírito que podia produzir tal fé em um solo tão pouco promissor, e em um clima tão pouco propício.
Com muito cuidado OBSERVEMOS QUE O LADRÃO CRUCIFICADO FOI O ÚLTIMO COMPANHEIRO DE NOSSO SENHOR NA TERRA. Que triste companhia nosso Senhor selecionou quando esteve aqui. Não se juntou com os religiosos fariseus nem com os filosóficos saduceus, senão que era conhecido como o “amigo de publicanos e de pecadores”. (Mateus 11:19) Como me regozijo nisto! Me dá a segurança de que Ele não recusará associar-se comigo. Quando o Senhor Jesus me fez seu amigo, seguramente que não fez uma seleção que lhe trouxesse crédito. Crês que ganhou alguma honra quando te fez seu amigo? Acaso ganhou algo por causa de nós alguma vez? Não, irmãos meus; se Jesus não tivesse se inclinado tão baixo, talvez não teria vindo a mim; e se não tivesse procurado ao mais indigno, não teria vindo a ti. Assim o sentes, e estás agradecido pois Ele veio “não para chamar a justos, senão pecadores”. (Mateus 9:13)
Sim, depois de tudo, nosso Senhor fez uma boa escolha quando te salvou e quando me salvou; em nós encontrou abundante campo para a sua misericórdia e graça. Houve suficiente espaço para que Seu amor pudesse trabalhar dentro dos terríveis vazios de nossas necessidades e pecados; e ali Ele fez grandes coisas por nós, pelas quais nos alegramos.
Para que não haja aqui alguém que se desespere e diga: “nunca se dignará a olhar para mim,” quero que estejam advertidos que o último companheiro de Cristo na terra foi um pecador, e não um pecador comum. Havia transgredido as leis do homem, pois era um ladrão.
O malfeitor que creu na cruz era um ladrão convicto, que havia permanecido na cela dos condenados e logo sofreria a pena capital por seus crimes. Um criminoso convicto era a última pessoa com a qual nosso Senhor teve que tratar nesta terra. Que amante das almas dos culpados é Ele! Como se inclina até o mais baixo da humanidade! À este homem tão indigno, antes que deixasse a vida, o Senhor da glória falou com graça incomparável, falou-lhe com palavras tão maravilhosas como nunca se poderão superar ainda que procures em todas as Escrituras: “Hoje estarás comigo no paraíso.”
Aqui há um exemplo de alguém que havia chegado ao fundo da culpa, e que o reconheceu; não procurou desculpas, nem buscou um manto para tapar seu pecado; estava nas mãos da justiça, enfrentando sua sentença de morte, e contudo creu em Jesus, e disse uma humilde oração para Ele, e ali mesmo foi salvo. Como é a amostra assim é o todo. Jesus salva a outros do mesmo tipo. Por isso, deixem-me expor de forma muito simples, de maneira que ninguém me interprete mal, nenhum de vocês está excluído da infinita misericórdia de Cristo, por maior que seja a iniquidade de vocês: se creem em Jesus, Ele os salvará.
Este homem não somente era um pecador; era um pecador que apenas havia despertado.
De acordo com os outros evangelistas, parece que se tinha unido com seu companheiro ladrão para zombar de Jesus: se em realidade não utilizou palavras de opróbrio, no mínimo chegou a consentir com elas, de maneira que o evangelista não lhe fez injustiça quando disse, “também os ladrões que estavam crucificados com ele lhe injuriavam da mesma maneira”. (Marcos 15:32) Contudo, repentinamente, se desperta a convicção de que o homem que está agonizando ao seu lado é algo mais que um homem.
“Vocês, que viveram no pecado por cinquenta anos, creem que em um instante podem ser limpos pelo sangue de Jesus?” Respondo: “Sim, certamente cremos que em um instante, por meio do precioso sangue de Jesus, a alma mais negra pode se tornar branca.
Este homem que foi o último companheiro de Cristo sobre a terra, era um pecador na miséria. Seus pecados lhe haviam encurralado: agora tinha a recompensa por suas obras. Constantemente encontro pessoas nesta condição: viveram uma vida de libertinagem, excessos e descuidos, e começam a sentir que caem em seus corpos as chamas de fogo da tempestade da ira; vivem em um inferno terreno, um prelúdio da condenação eterna. O remorso como uma áspide os picou, convertendo seu sangue em fogo. Este homem estava neste terrível estado, e mais, estava no extremo. Já não podia viver muito: a crucificação era inevitavelmente fatal; em pouco tempo as pernas lhe romperiam para pôr fim a sua existência infeliz. Ele, pobre alma, não tinha de vida senão um curto espaço do meio-dia ao pôr-do-sol; mas esse era o tempo suficiente para o Salvador, que é poderoso para salvar.
Olhando para Jesus e confiando nele, Ele lhes dará um coração novo e um espírito reto, e tirará a mancha dos vossos pecados. Esta é a glória da graça de Cristo.
Venham, oh culpados, e Ele os receberá com abundante graça!
Mais ainda, este homem a quem Cristo salvou no último momento era um homem que já não podia realizar boas obras. Se a salvação fosse pelas boas obras, não poderia ter sido salvo; posto que estava atado de pés e mãos ao madeiro de seu destino funesto. Tudo havia terminado para ele quanto a qualquer ato ou obra de justiça. Poderia dizer uma ou duas boas palavras, mas isso era tudo; não podia executar nada bom.
Seu fim estava muito perto, e contudo, o Salvador o pôde salvar, e o salvou tão perfeitamente que antes do pôr-do-sol, estava no paraíso com Cristo.
A confiança é o ato salvador.
Este homem não titubeou: se agarrou a essa única esperança. Não guardou em sua mente a segurança no Senhor como Messias como uma crença seca, morta, senão que a transformou em confiança e oração, “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Oh, que muitos de vocês possam confiar neste dia, na infinita misericórdia do Senhor!
Ao pensar no reino, tinha uma tão clara ideia da glória do Salvador, que sentiu que se o Senhor tão somente pensasse nele, seu estado seria salvo.
CRISTO em seu reino recorda os lamentos e queixas dos pobres pecadores oprimidos pelo sentimento de seu pecado. Não podes orar nesta manhã, e desta maneira assegurar-te um lugar na memória do Senhor Jesus?
Se foram grandes pecadores, e se viveram muito tempo sem se preocuparem pelas coisas eternas, são como este malfeitor; e contudo, vocês, sim, vocês, podem fazer o que o ladrão fez; podem crer que Jesus é o Cristo e encomendar suas almas em suas mãos, e Ele os salvará tão seguramente como salvou ao bandido condenado. Jesus com graça abundante disse: “Ao que vem a mim, de maneira alguma o lançarei fora”. (João 6:37)
O que entra pela porta do paraíso, com o Rei da glória, é um ladrão, que foi salvo em um decreto de morte. Não é salvo de uma maneira inferior, nem é recebido na beatitude de um modo secundário. Verdadeiramente, há últimos que serão primeiros!
Nosso Salvador levou este ladrão agonizante ao paraíso de deleite infinito, e é para ai onde levará a todos nós, pecadores que cremos nele. Se confiarmos nele, ao final estaremos com Ele no paraíso.
Pensa nele, alma desprovida de graça; vais a habitar com o Todo Desejável para sempre.
O Senhor olha para os seus olhos chorosos, e diz: “Pobre pecador, tu estarás comigo um dia”.
“Te amei com um amor eterno, por conseguinte com misericórdia vou te atrair a mim, até que estejas onde eu estou”.
O pecador já estava quase ante às portas do inferno, mas a misericórdia do Todo Poderoso o levantou, e o Senhor disse, “Hoje estarás comigo no paraíso”.
Podem medir a mudança desse pecador, abominável em sua iniquidade quando o sol estava no alto do meio-dia, a esse mesmo pecador, vestido de branco puro, e aceito no Amado, no paraíso de Deus, ao pôr-do-sol? Oh, Salvador glorioso, que maravilhas podes fazer! Quão rapidamente podes realizá-las!
Nosso Senhor dá sua própria vontade como razão para salvar este homem. “Te digo”.
O que Ele diz ninguém pode contradizer. Ele, que tem as chaves do inferno e da morte te diz, “Te digo, hoje estarás comigo no paraíso”. (Lucas 23:43) Quem impedirá o cumprimento de Sua Palavra?
Ele sempre inicia sua prédica com, “Em verdade, em verdade”; e agora que está agonizando utiliza sua maneira favorita, e diz, “Em verdade”. Nosso Senhor não jurava; sua mais forte asseveração era, “Em verdade, em verdade”.
Por que você e eu não haveríamos de passar através dessa porta a seu devido tempo, vestidos com Seu mérito, lavados em Seu sangue, descansando em Seu poder? Em um destes dias os anjos dirão de ti e de mim, “Quem é este que vem do deserto apoiando-se no Amado?”
Mas tenha cuidado, Satanás quer enganar você! E não me assombraria se ele se aproximasse de alguns de vós quando termine o sermão, e lhes diga em voz baixa: “Vejam que podem ser salvos no último momento. Adiem o arrependimento e a fé; podem ser perdoados em seu leito de morte”. Senhores, vocês sabem quem é o que quer arruinar-vos com esta sugestão. Aborreçam seu ensino enganador. Não sejam ingratos porque Deus é bondoso. Não provoquem ao Senhor porque é paciente. Uma conduta assim seria indigna e ingrata. Não corram um risco terrível simplesmente porque alguém escapou ao perigo tremendo. O Senhor aceitará a todos os que se arrependam; mas como sabem vocês que vão se arrepender? É verdade que um ladrão foi salvo, mas o outro se perdeu. Um é salvo, e portanto não podemos nos desesperar; o outro está perdido, e portanto não podemos nos vangloriar. Queridos amigos, confio que vocês não estão feitos de tão diabólica substância como para tirar da misericórdia de Deus um argumento para continuar no pecado. Se vocês o fazem, somente lhes posso dizer que a vossa perdição será justa; a haverão atraído sobre vocês mesmos.
Jesus salva com muita facilidade aos pecadores pelos quais Ele morreu com tanta dor. Jesus ama resgatar aos pecadores de sua queda no poço.
Se achega a nós cheio de ternura, com lágrimas em seus olhos, misericórdia em suas mãos, e amor em seu coração. Creiam que é um grande Salvador de grandes pecadores. 
A seguinte doutrina que Cristo prega desta maravilhosa história é a fé que se apropria da promessa. Este homem creu que Jesus era o Cristo. O que fez a seguir foi apropriar-se desse Cristo. O ladrão lhe disse: “Senhor, lembra-te de mim”.
Se nos conhecemos diante de Deus, não estamos suficientemente degradados em nós mesmos e por causa de nós mesmos? Depois de tudo, há alguém no mundo que seja pior do que nós quando nos vemos no espelho fiel da Palavra?
Toma ao Senhor para que seja teu, e o terás. Jesus é propriedade comum de todos os pecadores que se atrevem a tomá-lo.
Ele veio ao mundo para salvar aos pecadores.
O Reino do céu sofre a violência da fé que se atreve. Agarre-o, e Ele nunca se separará de ti.
O céu e o inferno não são lugares distantes. Podem estar no céu antes de outro “tic” do relógio, está tão perto. Que possamos rasgar esse véu que nos separa do desconhecido! Tudo está ali, e tudo perto.
Ele é capaz de salvar por completo, pois salvou ao ladrão que agonizava. O caso não teria sido exposto para alentar esperanças que Ele não poderia cumprir.

Deus abençoe sua vida!

FONTE
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
Sermão nº 2078— THE BELIEVING THIEF-  do volume 35 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,
Tradução: Junior Rubira
revisão: Marcus Paolo Diel Rios



terça-feira, 30 de junho de 2015

JESUS CRISTO - A aliança entre você e Deus

“De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador.” (Hebreus 7: 22)
Você certamente já deve ter ouvido falar que algumas nações fazem alianças com outras para benefício mútuo.
Pessoas por vezes agem dessa mesma maneira. Elas mantêm um relacionamento de interesses com outras, para proveito próprio, a fim de permanecer em um cargo ou  alcançar objetivos que sozinhas não conseguiriam.
Agora pense comigo, se alianças firmadas entre homens são capazes de trazer benefícios, quanto mais uma aliança com Deus. A melhor noticia é que ELE deseja isso. Você pode até se perguntar, mas o que eu, um pecador, posso oferecer a Deus para que ELE queira se aliançar a mim?
Primeiramente, entenda que por si próprio não terá condições de firmar uma aliança com o TODO PODEROSO, mas somente por meio de JESUS CRISTO.
Deus fez muitas alianças com homens, os quais infelizmente não foram capazes de cumprir com sua parte no acordo.
Se você estudar a palavra de Deus, encontrará várias situações onde alianças são mencionadas e tantas outras onde elas foram quebradas pelos homens.
Mas Deus ama o homem, mesmo com todas as suas limitações e pecados.
ELE mesmo providenciou uma maneira de eternizar essa aliança, oferecendo o que possuía de mais precioso, SEU FILHO. Através Dele, firmou com os homens uma aliança de amor.
JESUS CRISTO foi designado por Deus para ser fiador de todo aquele que NELE crê e por meio DELE a aliança é firmada.
Você sabe o que significa ser fiador de alguém?
Segundo o dicionário Priberam é: "Pessoa que afiança outrem, tomando sobre si a responsabilidade de desempenhar a obrigação do fiado, se este a não cumprir."
Todos os dias, Deus olha para você e vê JESUS. Sim, ELE o enxerga através de JESUS, pois CRISTO se ofereceu como fiador para pagar o preço pelos pecados que eram seus. Como não amar um inocente, que se entregou para morrer em seu lugar? Por esse motivo a bíblia relata: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor." (Romanos 6:23)
JESUS ofereceu sua própria vida para que a aliança entre você e Deus fosse eterna. ELE pagou a dívida que você  alimentou com seus pecados.
DEUS ama você com amor eterno, por isso realizou a parte mais difícil.
O que você precisa fazer? Crer e obedecer.
Precisa crer que JESUS é suficiente, e que por meio DELE, a salvação é oferecida aos homens.  
Deve também lembrar de algo importante, quando você se alia a alguém, precisa conhecê-lo. Com CRISTO não é diferente, é possível fazê-lo por meio da bíblia e através de experiências pessoais com ELE.
Aceitar a aliança que Deus propôs por meio de Jesus é a melhor decisão que você poderia tomar.
Pense nisso e deixe o Espírito Santo mudar sua vida.

Deus abençoe você!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Uma obra em andamento!

Algumas coisas precisam ser repetidas para serem aprendidas. Você é instruído através daquilo que ouve e vê. Por vezes o uso de ilustrações auxilia na assimilação de algo.
É difícil entender alguns processos da vida, mas gostaria de compará-la a uma obra que teve seu início, segue em andamento e um dia terá fim. Não importa se é uma construção gigantesca ou uma simples casa. O arquiteto é o mesmo e a obra ficará perfeita de acordo com o seu desejo e propósito.
No início de uma obra ou até mesmo durante sua execução, as coisas parecem um tanto bagunçadas não é mesmo?
As aparências por vezes causam desânimo pois encobrem o resultado final.
Mas se você acompanha-la em seu curso, perceberá que a cada nova etapa tudo vai ganhando forma. Para que atinja o esperado, tornam-se necessárias correções.
Você é uma obra em andamento! Mas Deus já conhece o resultado.
ELE está aperfeiçoando a obra DELE em sua vida.
 Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo. (Filipenses 1:6)
 “Você é uma obra em andamento e o mais importante não são as circunstâncias ou seus sentimentos, mas o compromisso de Deus em terminar o que ELE começou.” PPH
A fidelidade do PAI é um alto refúgio e descanso para a alma angustiada.
A obra pode não parecer formosa quando algo precisa ser derrubado, ou no momento em que está cheia de entulhos.
Eles precisam ser removidos para melhorar o ambiente. De igual maneira, dentro de você. Necessário é que alguns sentimentos sejam substituídos afim de que você cresça e se torne aquilo que Deus quer que você seja.
Tomemos novamente como exemplo o oleiro que dá forma ao barro. Ele sabe exatamente como trabalhar com a argila para que o produto final se torne o esperado. O barro apenas se permite moldar.
...Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão...(Jeremias 18:6)
Mas e quanto a você? Está disposto a ser modificado?  O resultado só poderá ser observado no final. Ciente disso, continuará confiando no trabalho do oleiro quando algo precisar ser retirado?
Não é o barro que determina qual será o produto final, e sim a vontade do oleiro.
Você consegue perceber Deus sendo Deus no início e meio da obra? ELE também o será no fim.
O processo se torna menos desgastante se existir entrega e confiança em quem está realizando a obra.
Confie, o sábio arquiteto do universo sabe exatamente como trabalhar.
Deixe que Deus seja Deus em sua vida. Se entregue nas mãos do oleiro, deixe-se moldar e se surpreenda com o resultado!
Deus abençoe sua vida!



Prepare-se!

E o rei lhes determinou a ração de cada dia, das iguarias do rei da do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para ...